Análise: Monster Hunter Stories 3 – O reflexo distorcido de uma franquia em evolução.

Iniciada como um spin-off para Nintendo 3DS, a série Monster Hunter Stories chega a seu terceiro capítulo pronta para “subir de nível”. Em Twisted Reflection, a Capcom mantém os elementos de RPG por turno dos capítulos anteriores, mas entrega uma experiência refinada em gameplay, apresentação, história e em diversos outros aspectos.

O resultado é um game que, ao mesmo tempo que traz ligações perceptíveis com seus antecessores, consegue ir muito além deles. O resultado é uma experiência que se aproxima mais dos jogos centrais da franquia, mas sem perder personalidade e o foco em elementos narrativos.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection conta a história de um mundo em crise

Logo no começo de Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection somos apresentados a um momento de festa para o reino do Azúria. Uma expedicionária famosa, a Rainha consegue encontrar em meio a sua jornada um ovo de Rathalos — criatura até então considerada extinta na região e que está associada à chegada de boas notícias.

No entanto, tudo se transforma em desastre no momento em que o ovo se rompe e dele saem dois monstros gêmeos. Esse evento raro é encarado como um prenúncio de um grande desastre, que obriga o Rei de Azúria a tomar uma decisão imediata: para que o local sobreviva, é preciso que uma das criaturas morra.

Logo após essa introdução, Monster Hunter Stories 3 dá um salto temporal que mostra que ao menos um dos Rathalos sobreviveu e virou o companheiro do príncipe (ou princesa) que protagonista da história. Embora não saibamos ao certo qual foi o destino da outra criatura, fica evidente que ele está relacionado com o que aconteceu com a rainha, que desapareceu e agora é considerada uma traidora do reino.

O evento traumático do passado também parece ter grandes relações com o estado do mundo. Uma espécie bizarra de desastre ecológico está congelando muitas criaturas poderosas, além de contribuir para o fim de terras aráveis e colocar em risco a sobrevivência da população.

Com tons políticos que envolvem tensões com o país vizinho de Vermeil, uma grande guerra ocorrida há 200 anos e um território proibido, a história do game é envolvente e vai se revelando aos poucos em um ritmo muito competente. Ela tem alguns clichês típicos de anime (o poder da amizade a tudo vencerá), mas isso não chega a ser um problema.

De certa forma, o título aparece quase como em contraste com a série principal, cujas tramas mais recentes parecem ser meros fillers para o conteúdo endgame. Em Monster Hunter Stories 3, a Capcom se aproxima de franquias como Fire Emblem e segue uma trama que conquista tanto por seus traços gerais quanto por seus protagonistas — nunca deixe de lado as missões específicas de seus companheiros, pois vai acabar se arrependendo de fazer isso.

Mas como é o gameplay?

Embora boas histórias possam sustentar um game, é difícil chegar ao final dele caso seu gameplay não seja dos melhores. Felizmente, esse não é o caso de Monster Hunter Stories 3. O título transforma uma das principais séries da Capcom em um RPG por turnos, que nem por isso perde em agilidade ou desafio.

A maioria das batalhas acontece contra criaturas que encontramos pelos mapas, que vão ser bastante familiares aos fãs da longa da data. Durante os encontros, você pode mudar livremente entre três armas pré-equipadas, explorar fraquezas elementais de criaturas e se focar em atacar partes específicas de seus corpos em busca de mais recompensas.

A principal diferença — fora que tudo acontece em turnos — é que sempre estamos acompanhados de dois monstros e de um companheiro humano. No entanto, a maior parte do tempo só temos controle direto sobre as ações do protagonista, enquanto a inteligência artificial fica a cabo de lidar com o restante da equipe — o que costuma fazer de maneira eficiente, a maior parte do tempo.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Fates também resgata o sistema de “pedra, papel e tesoura” que havia nos capítulos anteriores, mas com menos aleatoriedade. Todos os ataques de sua equipe ou de seus adversários podem ser ajustados para serem táticos, velozes ou fortes, sendo que cada opção tem vantagens e desvantagens em relações às demais.

Caso você opte por um ataque forte, mas seu inimigo tenha escolhido a velocidade, ele vai vencer um pequeno duelo e causar dano aprimorado, enquanto seu ataque é desperdiçado. No caso de ambos escolherem o mesmo tipo, o embate termina empatado e os dois saem machucados.

Embora esse sistema pareça um enigma em um primeiro momento, não demora até que você consiga perceber que certos tipos de criaturas sempre tendem a seguir as mesmas escolhas. Os tipos de ataques que seus companheiros escolhem automaticamente também dão pistas claras do que favorece ou prejudica uma criatura e, depois de algumas horas de jogo, é difícil se ver fazendo a escolha errada.

Para brincar um pouco com a atenção do jogador, Monster Hunter Stories 3 faz com que, em momentos específicos de uma batalha, seus adversários mudem de postura. Isso é uma dica para também mudar o tipo de ataque que você estava escolhendo, sempre ciente de que as criaturas passam a optar por opções que têm vantagens em relação às suas escolhas anteriores. Ou seja, se o jogador estava usando ataques de força (que perdem para os de velocidade), é melhor passar a optar por habilidades táticas enquanto a transformação dura.

Tudo isso pode parecer excessivamente estratégico e complicado, mas, na prática, se torna algo fácil de dominar após algumas horas de jogo. E é bom prestar atenção a esses elementos, já que mesmo o monstro mais comum do RPG é capaz de destruir seu grupo com facilidade. E, quando o jogo mostra visualmente que uma criatura é uma ameaça grande, é bom acreditar nisso.

Os combates de Monster Hunter Stories 3 só pecam em dois sentidos. O primeiro deles é que seus companheiros controlados pela IA nem sempre tomam as melhores decisões e podem ficar insistindo em ataques que não causam muito dano a inimigos. O segundo é que algumas batalhas podem se arrastar durante um longo tempo mesmo que você já tenha superado qualquer desafio presente nelas — algo comum em muitos chefes, que são verdadeiras “esponjas de dano”.

Crie um monstro do seu jeito

Fora das batalhas, o título traz uma exploração simples, que recompensa a curiosidade com itens escondidos e alguns extras. A decepção nesse sentido são os covis de criaturas espalhadas pelos mapas que, em seu interior, revelam designs praticamente iguais — fora o fato de que elas variam entre a quantidade de ovos disponíveis e na presença de uma ou outra criatura dormindo ou se recuperando de ferimentos.

É através desses ovos que você fortalece seu time, e encontra as criaturas que pode tanto evoluir em combate quanto liberar no mapa. Quanto mais de uma espécie você soltar, maiores as chances de que ela apareça, bem como algumas de suas mutações. Enquanto os monstros básicos de uma espécie tendem a ser bastante parecidos entre si, o jogo não demora a liberar uma mecânica que permite misturar com certa liberdade os genes de cada um deles.

Usada de maneira certa, a opção destrava bônus elementais, vários golpes especiais e a poss

By Power Play Games

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