Aumento de 25% no imposto de importação das blusinhas estabelece novo patamar histórico

receita federal proveniente do imposto de importação sobre as compras internacionais alcançou um novo patamar nos primeiros quatro meses de 2026, totalizando R$ 1,78 bilhão, conforme dados da Receita Federal. Esse montante representa um aumento de 25% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando a arrecadação foi de R$ 1,43 bilhão.

Esse resultado significativo surge em meio a um debate no governo sobre a legitimidade dessa cobrança. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que a possibilidade de abolir a chamada “taxa das blusinhas” está sendo discutida no âmbito do Executivo. Essa discussão gerou divergências entre diferentes ministérios e provocou uma disputa política que envolve partidos da oposição, representantes da indústria e consumidores.

Leia mais:

  • Haddad defende imposto para mil produtos: “não afeta o preço”
  • Fim das taxas? Nova proposta isenta imposto de importação para notebooks trazidos do exterior
  • USP revela projeto para fábrica de semicondutores portátil no Brasil

HISTÓRICO DA TAXA DAS BLUSINHAS

A “taxa das blusinhas” não foi criada repentinamente. A seguir, veja como essa cobrança se desenvolveu até o formato atual:

  1. Pandemia e crescimento do e-commerce — O aumento nas compras online internacionais durante a pandemia evidenciou a disparidade na carga tributária entre produtos importados e nacionais, levando à pressão por proteção da indústria brasileira.
  2. Aprovação no Congresso (2024) — Em 2024, o Congresso Nacional aprovou a imposição de um imposto de importação de 20% sobre encomendas internacionais com valor até US$ 50, que anteriormente eram isentas pelo programa Remessa Conforme.
  3. Sanção e início da vigência (agosto de 2024) — O presidente Lula sancionou a lei, embora tenha caracterizado sua decisão como “irracional”. A medida entrou em vigor imediatamente para as empresas registradas no Remessa Conforme.
  4. Aumento do ICMS — Em dez estados brasileiros, houve também um aumento na cobrança do ICMS sobre essas transações para 20%, elevando ainda mais a carga tributária sobre os produtos adquiridos online.

DEBATE SOBRE A POSSÍVEL ELIMINAÇÃO DO IMPOSTO

Dario Durigan, ministro da Fazenda, reconheceu abertamente que o assunto está em pauta. Ele afirmou: “No governo, há ministros que defendem uma revisão [da taxa das blusinhas]. Precisamos ter um debate racional. Não tenho restrições em discutir esses temas desde que respeitemos os avanços conquistados. O programa Remessa Conforme é algo que considero inegociável. A discussão sobre o fim da taxa das blusinhas está em andamento“.

Sua declaração surgiu após revelações sobre desacordos dentro do governo quanto à manutenção dessa cobrança. A Fazenda indicou que está monitorando a situação e que as diversas opiniões serão analisadas antes que qualquer sugestão seja apresentada ao presidente Lula. É importante ressaltar que o próprio presidente havia descrito a decisão anterior como “irracional” ao sancionar a lei, apesar de apoiar publicamente a medida.

SUPORTE DO SETOR PRODUTIVO À MANUTENÇÃO DO IMPOSTO

A permanência da “taxa das blusinhas” foi apoiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, então ministro do Desenvolvimento, como uma forma de salvaguardar a indústria nacional frente aos bens com baixo valor agregado. Em um manifesto conjunto, representantes dos setores produtivo e comercial se manifestaram favoravelmente à continuidade do imposto, argumentando que essa medida contribuiu para a geração de empregos e reduziu as distorções competitivas existentes.

Um dos principais argumentos apresentados pelo setor é o efeito na inflação dos produtos têxteis e calçados. De acordo com o manifesto, esses segmentos apresentaram a menor inflação entre os itens do IPCA desde julho de 1994, data do início do Plano Real. Os defensores da taxa acreditam que esse resultado é resultado direto da diminuição da discrepância tributária entre as plataformas internacionais e o mercado doméstico.

REFLEXO NAS FINANÇAS PÚBLICAS

A receita gerada pelo imposto de importação tem mostrado um crescimento constante desde sua implementação. Veja como isso evoluiu:

A alta na arrecadação em 2026 reforça os esforços do governo para alinhar as contas públicas com a meta fiscal estabelecida para este ano: um superávit equivalente a 0,25% do PIB ou cerca de R$ 34,3 bilhões. No entanto, previsões oficiais sugerem que o governo pode terminar 2026 com um déficit próximo a R$ 60 bilhões, prolongando assim resultados financeiros negativos durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.

Via: g1

By Power Play Games

Você Pode Gostar