O setor de monitores OLED experimentou um crescimento significativo de 78% nas remessas globais durante o primeiro trimestre de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, conforme informações divulgadas pela consultoria TrendForce esta semana.
A marca ASUS se destacou e liderou o mercado com uma participação de 24%, seguida pela Samsung, que obteve 16,4%. Ambas as empresas continuam dominando o segmento premium de displays.
Esse aumento anual foi impulsionado pela maior disponibilidade de painéis QD-OLED no mercado. A Samsung Display ampliou sua capacidade produtiva, permitindo que novos fabricantes entrassem na competição com modelos atrativos, preenchendo lacunas que existiam anteriormente.
Apesar das oscilações sazonais comuns no início do ano, o trimestre ainda mostrou resultados positivos em comparação ao ano anterior.
Queda na comparação trimestral
É importante ressaltar que, em relação ao quarto trimestre de 2025, as remessas apresentaram uma queda de 11%, uma tendência típica do início do ano. Campanhas promocionais agressivas no final de 2025 anteciparam parte da demanda, reduzindo os volumes entre janeiro e março.
A diferença entre os resultados anuais e trimestrais indica um mercado em expansão estrutural, apesar das flutuações temporárias.
A consultoria tinha estimado em janeiro que o segmento de OLED para monitores cresceria 51% ao longo de 2026 após encerrar 2025 com um total de 2,735 milhões de unidades enviadas, representando um aumento de 92% em relação a 2024.
ASUS amplia distância da concorrência
A ASUS consolidou sua liderança neste trimestre por meio de uma linha diversificada e segmentada de produtos.
A fabricante lançou um monitor gamer de 34 polegadas com taxa de atualização impressionante de 360 Hz e também expandiu sua gama com um modelo OLED portátil de 16 polegadas. Essa diversificação permite que a empresa atenda simultaneamente a gamers exigentes, criadores profissionais e nichos específicos como o da mobilidade.
A linha ProArt, voltada para editores e coloristas, recebeu um novo modelo com a chegada do PA32USD em abril. Este monitor possui painel QD-OLED 4K de 31,5 polegadas com taxa de atualização de até 240 Hz e cobertura impressionante de 99% do espaço DCI-P3.
No setor gamer da linha ROG, o lançamento do ROG Swift PG34WCDN com painel QD-OLED e taxa de atualização de 360 Hz anunciado na CES 2026 reforçou ainda mais seu portfólio high-end.
Samsung mantém vice-liderança com QD-OLED próprio
A Samsung garantiu a segunda posição no ranking com uma vantagem competitiva difícil de ser superada. A empresa é proprietária da Samsung Display, fornecedora dos painéis QD-OLED que dominam o setor premium. Esse acesso privilegiado à produção garante um volume estável mesmo nos períodos menos favoráveis.
O modelo Odyssey QHD de 27 polegadas e taxa de atualização de 180 Hz permaneceu como destaque nas remessas deste trimestre.
A oferta exclusiva da Samsung combina características difíceis de igualar em termos de cobertura cromática, contraste e faixa de preços, beneficiando-se da integração vertical entre a fabricação dos painéis e da montagem dos monitores.
“A posição dominante da ASUS é sustentada por uma ampla gama de produtos OLED. A empresa utiliza uma matriz diferenciada para solidificar sua barreira competitiva”
Disputa apertada entre MSI e AOC/Philips
A competição pelo terceiro lugar foi decidida por uma margem estreita: a MSI terminou o trimestre com uma participação de 12,2%, ligeiramente à frente da AOC/Philips, que ficou com 12,1%.
A diferença mínima demonstra como o segundo pelotão do mercado está acirrado.
A MSI manteve suas remessas estáveis com modelos de 31,5 polegadas e expandiu sua atuação no mercado comercial ao lançar um monitor UHD de 27 polegadas. Além disso, introduziu um modelo gamer com taxa elevada de refresh rate — um monitor gamer QD-OLED de 34 polegadas com frequência máxima de 360 Hz — atendendo desde ambientes corporativos até competições profissionais.
Por outro lado, a estratégia da AOC/Philips concentrou-se em modelos QHD agressivamente precificados na categoria dos monitores entry-level. Essa tática transformou a marca em um concorrente formidável no ranking superior devido à sua capacidade em gerar volumes através do baixo custo unitário.
LG Electronics aposta em ultrawide
A LG Electronics completou o top cinco do setor com uma participação totalizada em 9,1%. Sua divisão responsável pelos monitores tem mantido foco na linha ultrawide, que já representa cerca de 40% das remessas OLED da companhia.
No primeiro trimestre deste ano, destacou-se o lançamento exclusivo do modelo WUHD com tela gigante de 39 polegadas e taxa refrescante de 165 Hz. Espera-se que este produto impulsione volumes significativos nas vendas durante o segundo trimestre. A consultoria prevê que a fatia ultrawide alcance até 45% das remessas OLED da LG até junho deste ano, solidificando sua presença nesse nicho reconhecido por sua competitividade.
Painéis QD-OLED entram em jogo
A ampliação na oferta dos painéis QD-OLED foi crucial para o crescimento observado anualmente. Até o ano passado, a escassez desse componente restringia o acesso das menores empresas ao segmento premium, fazendo com que as remessas se concentrassem nas marcas que possuíam contratos firmados com a Samsung Display.
No entanto, a introdução recente dos modelos pela AOC, Dell, Gigabyte e MSI ao longo de 2025 alterou essa dinâmica. Atualmente, quase todos os principais fabricantes oferecem pelo menos um modelo QD-OLED em suas linhas, levando a competição para diferenciais como taxas altas de atualização e inovação nos tamanhos e calibrações dos displays.
Os novos painéis da terceira geração desenvolvidos pela Samsung Display foram anunciados em 2024 trazendo melhorias significativas em brilho e durabilidade — dois aspectos historicamente deficientes na tecnologia OLED.
Dessa forma, aumentou a confiança das marcas para investirem nesse formato mesmo nos segmentos onde a durabilidade do display é crítica para seu uso profissional.
Tendências para o restante de 2026
Tradicionalmente, o segundo trimestre apresenta recuperação nas remessas esperadas. As expectativas indicam que o mercado deve manter sua trajetória ascendente. As campanhas publicitárias típicas desta época costumam elevar os volumes vendidos principalmente nos modelos voltados aos gamers — segmento fundamental para o crescimento do OLED.
A consolidação dos preços abaixo dos US$700 (aproximadamente R$3.530 na cotação atual sem considerar impostos brasileiros ou taxas) para os modelos QHD diários referentes às telas maiores tende a ampliar ainda mais seu público-alvo. Há cerca um ano era raro encontrar modelos OLED nessa faixa por menos dos US$900. Essa queda nos preços foi impulsionada pelo aumento na oferta desses painéis bem como pela entrada no mercado da AOC oferecendo modelos mais acessíveis.
A disputa entre MSI e AOC/Philips promete continuar intensa nos próximos trimestres; há indícios claros que a marca chinesa pode avançar se mantiver suas estratégias competitivas relacionadas aos preços.
No entanto, a batalha pelo primeiro lugar entre ASUS e Samsung não parece ter grandes mudanças iminentes dada a força dessas duas marcas estabelecidas junto aos seus portfólios consolidados.
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Fabricantes de IPS e VA estão vendo suas margens cair
A ascensão dos monitores OLED está provocando uma reestruturação na hierarquia do mercado como um todo. Tecnologias como IPS e VA — predominantes durante a década passada — estão perdendo espaço entre os produtos premium enquanto se concentram agora em faixas mais acessíveis onde fatores como durabilidade ainda são prioritários sobre qualidade visual superior.
Custos associados à produção dos painéis QD-OLED caíram cerca de 30% nos últimos dois anos segundo dados anteriores levantados pela TrendForce. Isso torna os displays OLED opções viáveis dentro das faixas preçais antes dominadas apenas por IPS performance superior.
Diante disso tudo espera-se que nos próximos trimestres haja desaceleração percentual no crescimento absoluto devido ao aumento natural da base comparativa; contudo a tendência estrutural continua firme com novas marcas ingressando nesse setor enquanto os consumidores gamers permanecem como motor principal das vendas neste segmento crescente.
