Análise: My Hero Academia: All’s Justice oferece entretenimento descontraído aos fãs do anime

Um anime e mangá de grande sucesso mundial, My Hero’s Academia acompanha a jornada do jovem Izuku ‘Deku’ Midoriya, um jovem que cresceu sem poderes em meio a um mundo de super-heróis. Por circunstâncias do destino, ele acaba herdando as habilidades do maior herói de todos os tempos, o que o coloca em rota de colisão com um grande vilão do passado.

Porém, você dificilmente vai saber desses detalhes caso sua experiência com a série comece com All’s Justice, novo game de ação da Bandai Namco. Isso porque a experiência desenvolvida pela Byking Inc. é uma adaptação da última fase da história, que corresponde à oitava temporada da animação.

My Hero Academia: All’s Justice é um jogo de ação, não de luta

Algo que fica evidente logo nas primeiras horas é que My Hero Academia: All’s Justice deve ser tratado como um jogo de ação e que não liga muito para o equilíbrio, tampouco tem pretensões de pertencer ao gênero de luta tradicional. Ao dedicar algum tempo ao modo história, fica evidente que o equilíbrio entre os personagens não foi uma grande preocupação dos desenvolvedores, por exemplo.

De forma semelhante, o título é mais focado na apresentação e nos efeitos visuais do que na leitura de movimentos. O lado positivo disso é que ele preserva muito bem os grandes efeitos especiais dos anime, entregando uma reprodução bastante fiel dos diferentes poderes exibidos por seus heróis e vilões.

O lado negativo é que você provavelmente vai perder algumas batalhas simplesmente porque não conseguiu ver seu personagem em tela ou entendeu direito o alcance de um golpe. Isso pode ser especialmente frustrante porque os sistemas em si não são complicados, e é relativamente fácil entender quando cada mecânica disponível deve ser usada.

Todos os personagens possuem combos simples que são acionados apertando um único botão, que ganham complexidade pela capacidade de chamar um assistente (caso ele esteja disponível) e ativar um especial. My Hero Academia: All’s Justice ativa automaticamente o encadeamento dessas opções, mas é possível desligar isso nas configurações para ter mais controle sobre as batalhas.

Mundo aberto com história sobre IA

Enquanto o Modo História deve atrair imediatamente a atenção dos fãs, a parte central de My Hero Academia: All’s Justice pode ser encontrada em Team Up Mission. Ela oferece uma experiência de mundo aberto limitada, com uma narrativa que mistura elementos de inteligência artificial (IA) com o treinamento de super-heróis.

Sem entrar em grandes spoilers, a trama envolve um novo programa de treinamento que recria algumas das principais aventuras de Midoriya e seus amigos. No entanto, logo algo dá errado e as criaturas virtuais que deveriam servir somente para treinamentos começam a ganhar consciência e a trazer perigos muito reais ao mundo.

A trama não oferece nada muito complexo, mas dá um fio interessante o suficiente para que você queria ao menos conferir o restante do conteúdo disponível. Durante a exploração limitada, é possível encontrar diversos aliados, que podem tanto entrar para seu time como assistentes quanto fornecer bônus de força e recompensas que afetam permanentemente todas as batalhas — ou simplesmente algumas missões curtas que garantem dinheiro para curar seus personagens.

Personagens são o maior charme de My Hero Academia: All’s Justice

Para aqueles que não querem simplesmente reviver os momentos finais do anime, o jogo também tem o modo Hero’s Diary. Ele permite acompanhar várias histórias curtas sobre os principais heróis do anime, que geralmente não trazem grandes conflitos, mas se beneficiam muito do charme de cada um deles.

Os desafios podem envolver desde escalar um prédio dentro de um limite de tempo, encarar um vilão do passado ou simplesmente encontrar um gato perdido nos cenários. Assim como os temas, a dificuldade e a qualidade do conteúdo variam, mas, mesmo quando o roteiro é fraco, a duração das cenas é curta o suficiente para isso não virar uma grande chateação.

Mas vale a pena?

Dentro do universo de jogos de anime, que muitas vezes se aproveitam mais de seu nome do que de sua qualidade para chamar a atenção, My Hero Academia: All’s Justice se destaca positivamente. O game lembra muito os melhores capítulos da série Naruto Ninja Storm, apresentando batalhas que prezam bastante pelo estilo e representam bem os personagens em tela.

Em contrapartida, não espere encontrar muito equilíbrio entre os lutadores disponíveis — aqueles que têm mais poderes no anime batem muito mais pesado do que os demais. E, enquanto o título pode conquistar quem não sabe nada da história original, toda sua parte narrativa é realmente feita para aqueles que já são fãs mais antigos, o que deve limitar sua atratividade.

No entanto, são poucos os aspectos realmente negativos do jogo. Entre eles está o fato de que ligar o V-Sync é pedir para o título apresentar vários stutterings no PC (algo que já havíamos percebido na prévia) e que a dublagem em inglês tem uma qualidade bem complicada — algo que se torna mais grave quando sequer há menus ou uma interface em português brasileiro.

Dito isso, o saldo geral é positivo e My Hero’s Academia: All’s Justice consegue oferecer algumas boas horas de diversão casual. Só não espere encontrar nele uma grande longevidade, especialmente porque dá para terminar seus modos principais em questão de poucas horas.

Jogamos My Hero Academia: All’s Justice no PC com uma chave fornecida pela Bandai Namco Brasil.

By Power Play Games

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