Desenvolvido e publicado pela Milestone S.r.l., Screamer é um jogo de corrida que responde à pergunta: “o que aconteceria se Need for Speed se transformasse em um anime durante os anos 1990?”. Com visuais estilizados e um cenário futurista, o game traz como principal diferencial em relação ao gênero seu grande foco na narrativa.
O título conta a história de uma versão alternativa do mundo, na qual os carros conhecidos como Screamers dominaram o circuito de corridas ilegais. Nesse contexto, a misteriosa figura conhecida como Mr. A organiza um torneio que vai dar à equipe vencedora dezenas de bilhões de dólares.
Isso atrai a atenção de cinco equipes de diferentes partes do mundo, que são motivadas por questões como vingança, o desejo de glória ou a necessidade de pagar uma grande dívida. E os jogadores vão ter a chance de vivenciar a história dos pontos de vista de cada uma delas conforme a narrativa progride.
Screamer traz sistema arcade intercalado com narrativa
Assim que você inicia sua experiência em Screamer, o jogo inicia seu modo narrativo, que serve como uma mistura de tutorial, introdução aos diferentes tipos de corridas e forma de destravar personagens para os demais modos. A história do jogo é interessante, mas a maneira como ela é contada poderia ser um pouco melhor.
Isso porque demora algum tempo até que o título deixe evidente que não quer contar a narrativa de uma só equipe — ele quer abranger todas elas. Assim, especialmente nas primeiras horas de jogo, fica a impressão de que muitos pontos narrativos mal evoluem, e não é incomum ficar sem entender (ou lembrar) qual era a motivação de um personagem.
Felizmente, tudo ganha ritmo quando superamos a primeira parte do torneio, que é que a mais possui caráter introdutório. Além dos times participantes, também somos introduzidos aos poucos ao misterioso Mr. A e ao mecânico Gage, que criou o dispositivo que permite que o torneio exista: o poderoso Echo.
Não é incomum ficar sem entender (ou lembrar) qual era a motivação de um personagem
Essa ferramenta faz com que, quando um carro explode na pista, o tempo “rebobine” e seu piloto perca alguns segundos, mas permaneça com sua vida e máquina intactos. A ferramenta, mais do que explicar algo mecânico, também funciona como um elemento narrativo e inclusive desperta a atenção de um time por seu grande potencial militar.
Outro elemento interessante da narrativa e que evidencia bem seu caráter futurista é a maneira como os personagens se comunicam. Enquanto o inglês é o idioma base, também é possível ouvir corredores falando espanhol, francês e japonês — e todos se entendem graças a um “tradutor universal” mencionado no começo da história.
Gameplay arcade com uma profundidade a mais
Com um visual de anime e uma narrativa dramática típica de animações do gênero ação, Screamer também usa alguns recursos narrativos interessantes que influenciam no gameplay. Em corridas pontuais, o jogo adota câmeras dinâmicas e tira o controle da mão do jogador para criar cenas mais dramáticas e mostrar de forma mais próxima os embates entre equipes e personagens.
Felizmente, esse é um recurso que é usado de forma pontual, evitando a sensação de que a experiência foi feita para assistir, e não jogar. E, quando temos total controle dos veículos, o título surpreende por, apesar de ser uma experiência arcade focada nos drifts e turbos, ter uma profundidade um pouco maior.
Após as primeiras corridas, o título deixa evidente que não é daqueles em que basta apertar o botão de acelerar sem parar e saber quando iniciar um drift para vencer. Os carros têm um peso bastante notável, e não saber quando frear — ou pelo menos soltar o pé do acelerador — vai fazer com que você bata em muretas laterais e perca ritmo.
Enquanto isso faz com que seu carro nem sempre esteja em velocidade máxima, o gameplay de Screamer é criado justamente para compensar isso. Conforme você vai acelerando, o título estimula apertar um botão no momento certo (L1, na versão PlayStation 5 que usamos como base) para trocar de marcha.
A hora adequada de fazer isso é sempre indicada através de uma vibração no controle e por vários mostradores visuais, se tornando algo bem natural em questão de pouco tempo. Mais do que garantir que seu veículo vai ficar mais rápido, no entanto, a mecânica é essencial para encher a barra de turbo — que é o elemento definidor de muitas corridas.
Screamer tem um foco bastante grande no gerenciamento de recursos, recompensando os jogadores que conseguem usar o turbo o máximo possível. Assim, os momentos em que estamos “desacelerando” o carro precisam ser bem calculados, justamente porque são eles que vão fornecer o combustível necessário para ganhar vantagens posteriores.
Screamer tem um foco bastante grande no gerenciamento de recursos
Depois de algumas horas, o título também destrava uma mecânica com a qual podemos destruir carros adversários e um modo Overdrive, no qual o veículo controlado vira uma máquina veloz e mortal — até o momento em que explode. Na história, essas mecânicas tendem a aparecer em capítulos mais individuais, mas estão liberadas desde o início na opção Arcade, que fornece acesso mais direto aos diferentes tipos de corridas.
Não dá para ignorar a história de Screamer
Caso você não ligue muito para a narrativa, o modo Arcade traz várias modalidades, que incluem corridas individuais, torneios baseados em pontos, o tradicional Time Attack e uma opção para correr em equipe, além dos modos online. No entanto, o quanto você vai aproveitar dessa experiência está ligado justamente à sua capacidade de avançar na história.
Isso porque, sem completá-la, haverá somente uma seleção bastante limitada de pistas e personagens disponíveis — e cada um deles traz um estilo de jogo bem diferente dos demais. Enquanto algumas opções podem ser liberadas nas corridas individuais, o foco dos destraváveis que elas oferecem está em artes conceituais, faixas da trilha sonora e itens cosméticos para personalizar veículos.
Assim, a mensagem que Screamer deixa é clara: jogue o modo história single player sozinho, aprenda as bases do jogo e, só depois disso, aproveite os modos 100% focados nas corridas e o online. E isso pode ser algo que não vai agradar a todos, especialmente quem espera algo mais casual de jogos do estilo arcade.
Como funciona o desafio?
O aspecto de Screamer que mais se destaca, tanto positivamente quanto negativamente, é seu desafio. O título tem um tutorial extenso, mas não é daqueles que segura a mão e vai dizer exatamente tudo o que você tem que fazer. Ou seja, as habilidades nas pistas devem ser merecidas, e é realmente legal quando você começa a entender as nuances da experiência e a fazer drifts perfeitos.
É possível facilitar um pouco esse processo ligando diversas assistências, que cuidam tanto de questões relacionadas às derrapagens quanto à sua aceleração. H
