Ecos de Aincrad: Ideia Promissora, Mas Falhas na Implementação

Desde sua estreia em 2012 como anime, Sword Art Online conquistou muitos fãs ao narrar a trajetória de um MMORPG que se transforma em uma armadilha mortal para seus jogadores. Agora, mais de dez anos depois, o jogo Echoes of Aincrad retorna ao universo da aventura, apresentando uma nova perspectiva.

No novo game, o jogador assume o papel de um dos mil sortudos selecionados para participar do Beta de um inovador jogo de realidade virtual. Quando o título é finalmente lançado, com uma expansão para 10 mil jogadores, revela-se que a única maneira de deixar esse mundo virtual é alcançando o nível 100 — e quem morrer dentro do jogo perde a vida no mundo real.

Além dessa premissa, que já estava presente no anime, Echoes of Aincrad introduz um novo elemento: visões de uma catástrofe futura que o jogador deve evitar para salvar todos os habitantes do servidor. Mas será que essa urgência contribui para uma experiência divertida ou acaba tornando o jogo menos atrativo?

Echoes of Aincrad poderia ser muito mais

Aos aficionados por Sword Art Online, um dos pontos mais intrigantes de Echoes of Aincrad é que ele não ignora os eventos do anime nem os substitui. A narrativa simplesmente se aproveita do fato de que a jornada de Kirito é apenas uma entre muitas dentro do universo do MMO, permitindo a introdução de um elenco completamente novo e suas próprias missões.

Embora personagens da série original façam aparições esporádicas, sua inclusão ocorre de forma sutil e não exige conhecimento prévio sobre eles. Isso torna o título acessível para novos jogadores que não estão familiarizados com a saga. Contudo, o que poderia ser uma história envolvente acaba se perdendo em um ritmo lento e arrastado.

Apesar da intenção positiva em explorar as relações entre os protagonistas, longos trechos da narrativa carecem de progresso. Esse aspecto se torna evidente logo no início: antes mesmo da tela de criação do personagem aparecer, são necessárias pelo menos cinco horas de gameplay.

Dessa forma, embora Echoes of Aincrad apresente momentos realmente cativantes, parece ter faltado um pouco mais de edição. Se a Bandai Namco tivesse optado por uma trama mais concisa, teria sido capaz de manter melhor o interesse dos jogadores e a motivação necessária para avançar na narrativa.

A repetição é o que mais prejudica o jogo

Antes do lançamento oficial do jogo, a Bandai Namco disponibilizou uma versão demo — que reflete bem tanto os pontos positivos quanto negativos da experiência. Essa versão encapsula com precisão toda a essência da aventura, mas também limita seu conteúdo.

A maioria das missões consiste em áreas semiabertas com progressão linear onde enfrentamos cerca de meia dúzia de inimigos até alcançar nosso destino indicado no mapa. Durante essa jornada, há alguns minichefes e quebra-cabeças simples, mas sem grande variedade entre eles.

No início, essa fórmula pode funcionar bem; porém, rapidamente fica claro que Echoes of Aincrad oferece pouco além disso. O jogo ocasionalmente nos leva a cavernas ou troca florestas por desertos, mas ao final da experiência você encontrará ações repetitivas semelhantes às realizadas nas primeiras horas.

Um ponto positivo é o sistema de combate que incorpora elementos interessantes. Os jogadores podem aumentar os níveis dos personagens e especializar-se em diferentes atributos, além de escolher entre várias armas com habilidades especiais únicas.

No entanto, essa diversidade só será realmente exigida nas fases finais do jogo. Mesmo as habilidades especiais dos companheiros podem ser deixadas de lado na maior parte da aventura principal devido à sua falta de desafio.

Esse problema poderia ser mitigado se a desenvolvedora Game Studio tivesse investido em uma gama maior de inimigos ou oferecido características mais distintas aos chefes. Infelizmente, a entrega foi composta por criaturas com ligeiras variações em suas paletas e adversários inicialmente únicos que acabam se tornando repetitivos.

Echoes of Aincrad vale a pena?

Ainda que a narrativa proposta por Echoes of Aincrad seja instigante, outros aspectos da experiência necessitam urgentemente de melhorias. O sistema de combate apresenta potencial considerável; porém, esse potencial é desperdiçado devido à escassez e repetitividade dos inimigos enfrentados na maioria do tempo.

Dessa forma, aquilo que começa como um jogo promissor rapidamente se transforma em uma experiência monótona e maçante. Ao percebermos que o mundo do jogo é essencialmente linear e as recompensas encontradas são pouco gratificantes nos baús espalhados pelo caminho, fica difícil não sentir vontade de correr apenas para chegar ao próximo objetivo na esperança de ver algum progresso na história.

É lamentável porque havia espaço para expandir o universo de Sword Art Online com ideias criativas. Contudo, o resultado apresentado pela Bandai Namco foi um título medíocre que não vai além disso. Assim sendo, apenas os fãs mais dedicados da série terão motivos suficientes para prestarem atenção nele em meio à diversidade de RPGs disponíveis atualmente.

Prós

Premissa interessante dentro do universo de Sword Art Online

Elenco envolvente apesar do desenvolvimento lento

Sistema de combate com ampla variedade de armas e habilidades

Contras

Narrativa arrastada sem ritmo consistente

Mundo aparentemente aberto mas linear e restrito

Excessiva repetição; as atividades iniciais se repetem nas 10 ou 15 horas seguintes contra os mesmos inimigos

Potencial do sistema combatido só explorado nas fases finais do jogo

A experiência com Echoes of Aincrad foi realizada no PC utilizando um código disponibilizado pela Bandai Namco.

By Power Play Games

Você Pode Gostar