Após quase dois anos desde a expansão Vessel of Hatred, que deixou muitas questões sobre o destino de Mephisto e o universo de Diablo IV, a nova adição Lord of Hatred chega para concluir a narrativa deste vilão. Recebemos um convite da Blizzard para experimentar uma versão completa do novo capítulo em um ambiente de testes restrito, onde pudemos elaborar nossa análise.
A trama se inicia logo após o retorno do antagonista ao mundo, agora sob a persona do profeta Akarat. O protagonista se vê em uma corrida contra o tempo para impedir que essa figura aparentemente sagrada seja utilizada para aniquilar Santuário e subjugá-lo ao ódio e ao caos.
Para agravar ainda mais os desafios em Diablo IV: Lord of Hatred, existem indícios de que Lilith ainda exerce influência no mundo. Contudo, frente a um inimigo comum extremamente poderoso, o protagonista é forçado a reavaliar sua relação com a antiga rival.
Diablo IV: Lord of Hatred conclui um ciclo na saga
<pAtendendo aos pedidos da Blizzard (e para aqueles que ainda não jogaram), evitaremos spoilers sobre a narrativa de Lord of Hatred. Entretanto, é seguro afirmar que esta pode ser a história mais impactante apresentada até agora no jogo, especialmente por sua disposição em tomar decisões audaciosas em muitos de seus desdobramentos.
Ao longo das 10 a 12 horas necessárias para completar a narrativa, somos agraciados com a presença de antigos aliados e conexões significativas com o enredo do jogo original. Mais do que Vessel of Hatred, Lord of Hatred revisita aspectos do passado de Lilith e Inarius, assim como suas escolhas na criação da humanidade, apresentando tudo isso de maneira bastante envolvente.
O jogo demonstra uma abordagem inteligente ao justificar a inclusão da antiga vilã, evitando que sua presença pareça gratuita ou forçada. No entanto, isso não significa que não existam falhas no conteúdo adicional. A principal crítica é que os novos personagens têm pouco espaço na narrativa, dificultando a conexão emocional com certos eventos trágicos.
Adicionalmente, seria interessante se o roteiro dedicasse mais atenção à maneira como Mephisto utiliza sua nova identidade como Akarat. No formato atual da história, sua capacidade de dominação sobre outros parece acontecer rapidamente demais — especialmente porque o jogador sempre consegue perceber o lado maligno de suas ações.
Ao fazer essas considerações, é evidente que Diablo IV: Lord of Hatred é ousado ao encerrar eficazmente um ciclo narrativo, abrangendo aspectos além da luta contra o vilão. É notável também que, mesmo com muito material ainda por explorar pela Blizzard, não há insinuações sobre futuros conteúdos para o jogo.
A chegada do Bruxo altera o gameplay
Dando continuidade à tradição da franquia, a nova expansão do RPG introduz duas novas classes: Paladino e Bruxo. Porém, apenas esta última pode ser considerada uma verdadeira novidade, já que a classe oriunda de Diablo II está disponível separadamente há alguns meses.
Dessa forma, durante nossa análise de Diablo IV: Lord of Hatred, concentramos nossos esforços no Bruxo, que traz diversas características interessantes. Esta classe foca na manipulação demoníaca e pode se especializar no controle territorial, na eliminação direta de inimigos ou na aplicação de status negativos nos adversários.
No desenvolvimento da análise, optei por explorar as habilidades na categoria designada pela Blizzard como Vanguarda, que envolve muitos poderes baseados em fogo. A escolha foi acertada para enfrentar a aventura sozinho, devido à habilidade de causar dano em área e dispor de ataques mais passivos.
A experiência com o Bruxo remeteu a uma fusão entre Necromante e Mago, mas mantendo sua individualidade. A classe se beneficia significativamente do novo sistema de evolução implementado no jogo, permitindo flexibilidade e experimentação através da redistribuição de alguns pontos.
Nesse contexto, Diablo IV: Lord of Hatred impacta todas as classes anteriores ao eliminar grande parte das habilidades passivas existentes até então. A Blizzard realizou uma reformulação nas habilidades passivas do jogo, tornando crucial escolher poderes centrais relevantes e destinar pontos adequados a eles.
Cada poder central agora possui três opções associadas de passivas, sendo necessário decidir entre duas ou três alternativas diferentes. Esse mecanismo torna as escolhas disponíveis mais significativas e potentes — com alguns atributos “emprestados” dos itens legendários anteriores.
A habilidade Dança de Facas do Renegado ganha uma nova opção que faz com que as adagas utilizadas se estilhaçam quando atingem inimigos e se fragmentam em múltiplas partes. Até a Temporada 12 de Diablo IV, esse recurso estava vinculado a itens específicos populares em várias builds. Em resumo, essa atualização eliminou a aleatoriedade anteriormente existente para acessar essa opção bastante útil.
Dado nosso tempo limitado com o título, não conseguimos explorar todas as modificações realizadas pela desenvolvedora em profundidade. Contudo, parece que as essências das builds anteriores foram mantidas; embora será necessário adaptar suas funções. A reação inicial pode ser surpreendente; entretanto, rapidamente as decisões da empresa começam a fazer sentido.
A atualização também modifica os afixos de diversos equipamentos e apresenta um novo sistema denominado Talismãs, acessível em uma nova aba dentro do inventário. Os espaços disponíveis aumentam conforme progredimos na história, oferecendo ótimas maneiras para garantir status passivos e incrementar pontos dedicados às habilidades específicas.
Diablo IV: Lord of Hatred traz um endgame revitalizado
A tradição também retorna em Diablo IV: Lord of Hatred, pois mudanças foram implementadas no endgame através dos novos Planos de Guerra disponíveis após concluir a campanha principal. Eles combinam atividades clássicas como Árvore dos Lamentos e Nightmare Dungeons oferecendo incentivos adicionais aos jogadores que finalizarem essas tarefas.
Ao selecionar um plano de guerra, os jogadores definem um conjunto de duas ou mais atividades que devem ser realizadas sequencialmente. Cumprindo essas missões resulta em recompensas aleatórias e pontos utilizáveis para aprimorar diversas atividades.
Dessa forma, Diablo IV: Lord of Hatred alivia os jogadores da pressão quanto às decisões sobre como evoluir seus personagens após finalizar a campanha, incentivando-os a experimentar diversos tipos de desafios. Com o tempo esses desafios tornam-se mais interessantes graças aos modificadores que aumentam tanto as recompensas quanto as condições das explorações.
Nossa experiência limitada com este novo sistema também influenciou nossa capacidade de mensurar sua eficácia ao longo prazo ou se justifica todo o investimento necessário para aprimorá-lo completamente. Entretanto, as horas dedicadas foram proveitosas e satisfatórias.
Outro elemento presente em Diablo IV: Lord of Hatred, que também foi explorado apenas superficialmente é o Cubo Horádrico. Neste título ele funciona diferentemente dos jogos anteriores ao se tornar parte das cidades ao invés do inventário fixo dos jogadores.
Essa nova abordagem oferece uma ótima maneira de reciclar itens considerados inúteis através das fórmulas disponíveis para fortalecê-los ou até mesmo elevar seu status — contanto que você possua os elementos necessários adquiridos por meio das diversas atividades do endgame.
Vale a pena jogar esta nova expansão?
No geral, Diablo IV: Lord of Hatred mantém sua estrutura básica enquanto RPG de ação da Blizzard; porém, apresenta uma narrativa envolvente e novas classes criadas pela desenvolvedora valem o preço cobrado. Especialmente para aqueles interessados na história da série; este capítulo é bastante intrigante e seus desdobramentos são promissores.
Nossos testes revelaram algumas falhas pontuais relacionadas a bugs nas habilidades e traduções problemáticas. Contudo, a Blizzard assegura que essas questões serão corrigidas antes do lançamento oficial do título, portanto não entraremos em maiores detalhes sobre elas aqui.
No geral, Diablo IV: Lord of Hatred proporciona uma experiência bem estruturada; as mudanças nos sistemas de habilidades e endgame prometem impactos duradouros. Embora não revolucione completamente a série; constrói sobre uma base sólida cumprindo bem aquilo prometido durante os anúncios promocionais realizados anteriormente.
Narrativa envolvente
Novas classes ampliando as opções do jogo
A árvore reformulada de habilidades altera significativamente o gameplay para melhor
Sistema endgame renovado trazendo recompensas atraentes
Certa parte da história poderia ter recebido maior desenvolvimento; especialmente novos personagens
Bugs menores já apontados; porém prometidos pela Blizzard como corrigidos antes do lançamento
Analisamos Diablo IV: Lord of Hatred no PC utilizando servidores especiais disponibilizados pela Blizzard.
