De tempos em tempos, fãs são agraciados com recomeços cheios de potencial para franquias consagradas. Fruto do trabalho da IO Interactive para PS5, Xbox Series e PC, 007 First Light se propôs a recontar a trajetória do icônico agente secreto no início de sua carreira.
Essa movimentação já pôde ser observada em outros medalhões da indústria. Em meados de 2013, aconteceu com a musa dos videogames, Lara Croft, com uma aventura (responsável, posteriormente, por encabeçar uma trilogia) que levou a destemida exploradora a um merecido destaque em uma então nova geração.
Se esta aventura marcará o início de uma nova saga de James Bond nos games, somente o tempo (e os resultados comerciais) dirão; contudo, o potencial para isso acontecer já está nesta primeira aventura.
Contudo, antes de nos aprofundarmos, confiram o PC utilizado para analisar 007: First Light, no PC, sem path tracing (a tecnologia da NVIDIA ainda não está disponível nesta build, estando agendada para chegar em um patch gratuito entre junho e julho):
| Componente | Especificação |
|---|---|
| Processador (CPU) | AMD Ryzen 7 9800X3D |
| Memória (RAM) | 32 GB DDR5 (6000 MHz) |
| Placa de Vídeo (GPU) | NVIDIA GeForce RTX 5070 Ti |
| Armazenamento (SSD) | SSD 2 TB PCIe Gen 4 |
| Sistema Operacional (SO) | Windows 11 Pro |
O desempenho foi satisfatório. Com tudo no Ultra, rodando entre 90 ~ 110 FPS, sem Frame Generation (FG), em 4K e com DLSS 4.5 Performance com preset L (o mais pesado e com maior qualidade).
Já adianto uma característica que se destacou, tecnicamente falando: assim como acontece nos games mais recentes de Hitman (também produzidos pela IO Interactive), a Glacier Engine, principalmente em momentos com uma quantidade alta de personagens secundários (NPCs), puxa bastante o processador.
Mesmo usando um Ryzen 7 9800X3D, em alguns segmentos, é necessário mais de 50% de uso desse componente, indicando boa otimização para CPU, mas também a necessidade de um “coração” forte para a sua máquina.
Em breve, com a implementação do path tracing, só o tempo dirá se será ainda mais pesado para a CPU; contudo, essa técnica, apesar de demandar um processamento considerável, normalmente exige mais GPU (ou seja: placa de vídeo).
Mesmo sem a “pitada mágica” da NVIDIA com o path tracing, a iluminação padrão do jogo é bem bonita por si só (tendo pitadas de ray tracing, sendo otimizada até para os consoles) e, para boa parte dos jogadores, é isso que importa no fim das contas.



Para encerrar esta seção, destacamos que, de toda forma, teremos que aguardar para observar o desempenho da build “definitiva” deste novo 007 nos próximos meses.
A ascensão de uma estrela da espionagem
Antes de virar um dos melhores agentes secretos, Bond era um jovem de 26 anos, aviador da Marinha Real Britânica (Royal Navy Airman), até ser recrutado pelo MI6 pela agente M.
Para evitarmos spoilers (pois este é um game que estima muito o seu enredo), apenas explicarei que, após os eventos da missão introdutória, James chama a atenção da chefona, resultando em seu treinamento para espião na recém “ressurreição” do programa 00.
Com esta premissa em mente, o jogo se desenrola com personagens carismáticos e dignos de quaisquer filmes modernos de 007, em uma aventura que pode durar entre 15 a 18 horas na sua primeira jogatina (no modo padrão).
Inicialmente, quando este título foi anunciado, eu fiquei com medo de uma possível falta de personalidade nesta recriação da IO Interactive. Felizmente, agora posso afirmar: eu estava enganado; este jogo tem MUITA personalidade própria.
Tudo foi construído tendo em mente as descrições dos livros da franquia, assim como a identidade estampada em filmes recentes e mais atuais de Bond.
Um dos momentos mais icônicos, na minha opinião, foi quando a música tema tocou (obra de Lana Del Ray), logo após o prólogo:
Sério: essa é uma sequência que rivaliza com os filmes do espião. Juntando com a abordagem meticulosa dos desenvolvedores, não poderíamos ter uma primeira impressão melhor.
O nome dele é Bond… James Bond, e isso fica claro nas primeiras horas
Outra ótima notícia é que o protagonista, apesar do visual repaginado, tem o DNA do personagem. Desde sua primeira aparição no livro Casino Royale, lançado em 13 de abril de 1953 pelo escritor britânico Ian Fleming, o espião fez e ainda faz parte do imaginário popular de diversas gerações de fãs, com diversos rostos e atores.
Sua humanidade (se colocar em risco para defender inocentes), assim como a característica personalidade descontraída, mas com instintos afiados e rápidos (além de ser altamente mulherengo), todos os aspectos do espião britânico estão aqui.
E a surpresa mais positiva: assim como seus filmes mais modernos, após longos momentos de espionagem, temos uma variação interessante de gameplay.
Quando a “Licença para Matar” é liberada (somente em momentos nos quais os inimigos demonstram hostilidade compatível), o jogo se torna uma experiência de ação de primeira.
É possível usar coberturas variadas, com destruição moderada dos cenários, além de poder atirar nas mãos, pernas e outras partes do corpo que permite incapacitar e roubar a arma dos inimigos.
Tudo é tão absurdo e explosivo quanto nas telonas. O agente secreto parece um super humano em alguns trechos mais ousados, com manobras que deixariam envergonhados muitos super-heróis modernos (e falo isso como um elogio, gosto demais desses aspectos).
A jogabilidade em si, dentro do possível, é até que relativamente pé no chão, com um sistema de combate corpo a corpo que deixou em dúvidas muitos fãs, em vídeos iniciais, mas que funciona bem (apesar de ter alguns probleminhas, que explicarei mais a seguir).




Espionagem, tiros e pancadaria
Graças aos seus treinamentos pela MI6, cobertos com perfeição nos momentos iniciais da trama, Bond é um lutador incrível, com um sistema de combate que pode não ser perfeito e nem revolucionário, mas é competente para o que se propõe.
Diferentemente de títulos como a franquia Batman: Arkham, o agente em treinamento não é um “Deus da pancaria”, apesar de ser muito hábil.
Mesmo sendo extremamente capaz, até nos momentos abordados nas cutscenes (quando os seus feitos escalonam para níveis muito acima do normal), enfrentar dois oponentes de uma vez (ou mais) é uma tarefa possível de ser executada, mas desafiadora.
Joguei na dificuldade padrão, então, afirmo que achei adequado o desafio no mano a mano. Você usa um botão para golpear, outro para desviar, mas ainda temos algumas opções interessantes, com combinações de botões que fazem movimentos específicos.
O adversário está se defendendo demais? Use RT / R2 para agarrá-lo e jogá-lo contra uma parede e/ou outro obstáculo. E, para deixar o clima ainda mais imersivo, os cenários reagem muito bem aos danos.
Portanto, espere arrebentar paredes, móveis que pareciam indestrutíveis e tudo o que estiver pela frente, quando decidir que dedada no olho e gritaria são a solução.
Apertar ao mesmo tempo botões como RB + X também traz movimentos únicos, que empurram o seu algoz e quebram um pouco mais da sua defesa. Enfim, as ferramentas não são inúmeras, mas são variadas o suficiente para não ser sempre a mesma coisa.
Um ponto acima da média, quando o assunto são as lutas corporais, é que a física funciona muito bem. Você sente corretamente o peso dos seus golpes e do corpo dos inimigos. Sendo assim, o motor gráfico não cai naquele erro comum, com todas as simulações corporais parecendo bonecos de pano.
Batalhas físicas com potencial, mas…
Aqui encontrei a primeira coisa que me desagradou consideravelmente nesta jornada de descobertas para Bond. Em momentos que você resolve sair no braço com inimigos, existem algumas quebras de imersão consideráveis.
Primeiramente: na dificuldade padrão (sendo que o modo mais difícil promete desafios mais intensos, mas não fala nada sobre uma inteligência artificial menos limitada), a IA dos inimigos é mais do mesmo.
Basicamente, é o mesmo esquema que jogamos em games de espionagem nas últimas décadas, ou mesmo em aventuras com segmentos de stealth. Como estamos falando de um jogo do 007, eu esperava uma IA um pouquinho mais avançada aqui.
Quebra o clima quando três inimigos partem para cima, Bond se defende e quebra quase tudo o que tem no cenário para se defender, mas outros adversários ali por perto, atrás de uma porta a poucos metros, continuam totalmente distraídos.
Isso acontece, basicamente, desde sempre no segmento, mas estamos em 2026. Tirando alguns títulos especiais, como F.E.A.R, de 2006 (sim, um jogo de VINTE ANOS de idade), parece que a indústria pouco se importa em realmente evoluir a IA dos inimigos.
Por último, outro probleminha é que, mesmo quando tudo está funcionando bem e você está saindo no braço com alguns inimigos, a movimentação é um pouco estranha, pois parece que Bond dá uma leve “deslizada” no chão, nada natural, para encaixar os seus movimentos (sejam de ataque e defesa) no outro personagem.
É aquela sensação esquisita, que faz parecer que todos ali são “bonecos” se conectando por meio de imãs, para que aqueles movimentos sejam possíveis.
Muita coisa ainda é limitada e roteirizada, da forma mais sem sal possível, quando o assunto é a IA dos capangas.
E, como espionagem e confrontos são o coração deste jogo, acabou diluindo um pouco o brilho total do produto, na minha opinião.



Elimine seus inimigos com táticas variadas
Agora, abordando um aspecto positivo, assim como acontece nos jogos do carecão assassino, os cenários contam com opções bem variadas para você avançar nos seus objetivos.
Quer arriscar e dar uma de Rambo dos punhos (não é possível dar tiros, a não ser que atirem em você primeiro) e resolver tudo na porrada? Não é impossível, mas vai ser BEM difícil, então, boa sorte.
Quer misturar um pouco de stealth com criatividade? Use o seu relógio de espião (falarei mais sobre os gadgets de Bond a seguir) para hackear um ventilador potente e fazer um inimigo cair de uma plataforma bem alta, etc.
Como é de se esperar da IO Interactive, as seções de stealth são um playground de criatividade. Não tão sádicas quanto as presentes para o Agente 47, mas de uma forma tão variada e divertida quanto.
O acervo de armas e equipamentos de Bond é um show a parte, e honra o legado dos livros e dos filmes. Confiram algumas das opções disponíveis desde as primeiras missões:
- Um celular que, quando carregado com elementos químicos, pode atirar veneno na surdina e tirar soldados de circulação devido a náuseas pesadas;
- Uma câmera analógica que, quando tira fotos, pode abrir portas na porrada e causar pequenos estouros que empurram inimigos;
- O relógio pode atirar um pequeno laser capaz de incendiar locais inflamáveis ou derrubar obstáculos;
- Bombas de fumaças que permitem fugir, quando você está perdendo na pancadaria e quer ganhar vantagem tática novamente; etc.
Com o avançar da trama, são liberados cada vez mais recursos inteligentes e criativos, totalmente compatíveis com o legado de 007.
Durante as explorações mais calmas, use seu “Modo Detetive” para analisar melhor os cenários, assim como enxergar quantos inimigos você pode lidar nas redondezas.




Trilha sonora é um dos pontos altos
Mesmo que nem sempre tenhamos trilhas sonoras incríveis, como a de abertura, e nem todas sejam as velhas queridinhas dos fãs, os arranjos musicais de 007: First Light são extremamente competentes.
Alguns poderiam ser usados nos cinemas sem problema algum, e isso também ajuda a dar personalidade para a aventura. Apesar de, em alguns momentos, lembrar medalhões da indústria, como Uncharted, Hitman e Batman: Arkham, toda a construção de mundo e de personagens é fortemente única, escorada no universo de Fleming.


Mesmo o QG da MI6 já tem mais presença do que muito jogo moderno. Com personagens e situações adicionais bem-humoradas, aqui podemos ver um pouco das maluquices que NÃO SERÃO testadas em campo… Justamente porque são inviáveis.
Temos personagens secundários engraçados e únicos dos seus próprios jeitos. Seja um rapaz que se oferece para ser “cobaia” dos gadgets de Bond ou com especialistas absolutos em suas áreas, a peculiaridade de cada um é notória.
Durante a maior parte das aventuras de James, não temos trilhas sonoras originais vocais cantando o tempo todo; contudo, acredito que este segmento é adequado, pois nos momentos que mais precisa, não decepciona (sejam de ação ou mesmo para incrementar a atmosfera do ambiente).




Recursos gráficos e desempenho no PC, sem Path Tracing
Conforme mencionado no início desta publicação, o desempenho desta build inicial de testes é adequado. Contudo, os efeitos mais pesados de path tracing nem estão disponíveis ainda e já temos áreas que ocupam de 45 a 50% de um 9800X3D.
Ainda assim, os recursos adicionais, como o FG e o Multi Frame Generation (MFG) funcionam corretamente desde já, sendo possível usar o novo Frame Generation Dinâmico desde o lançamento, caso seja dono de uma RTX 50.
Pessoalmente falando, não gosto de quando um jogo anuncia suporte a um recurso, como path tracing, mas não está disponível no lançamento. Doom: The Dark Ages fez a mesma coisa e, para mim, já levanta uma bandeira amarela, como possíveis problemas de desempenho e/ou com o risco de ser extremamente pesado e pouco acessível.
Esta parte, teremos que esperar; todavia, com o que temos agora, considero algo aceitável. Não são gráficos com as melhores tecnologias e recursos do momento, mas são muito legais e agradáveis aos olhos.
A boa notícia é que, honrando o legado de Hitman e dos motores gráficos da IO Interactive, temos simulações de “reflexos“, sim, mesmo sem path tracing. Esqueçam jogos como Alan Wake 2, que, ao tirar as tecnologias modernas, não tem um metal que reflete direito naquele mundo.




Aqui, usam uma mistura de técnicas novas e antigas, mas com certeza os resultados são mais do que positivos, ainda mais nos tempos de hoje, nos quais boa parte das desenvolvedoras joga a “responsabilidade” de ter alguns efeitos gráficos relevantes para o usuário, que precisa comprar uma máquina cara.
Momentos de fuga de tirar o fôlego, com carros bons de dirigir
Esta é outra parte que me surpreendeu positivamente. Normalmente, quando um jogo de ação tem alguns segmentos com o protagonista no volante (mas não é o foco da aventura, como acontece em Cyberpunk 2077 e outros similares), a jogabilidade é, no mínimo, questionável.
Fico feliz em afirmar que a jogabilidade dos carros nesta aventura de 007 é acima da média. Tudo funciona muito ágil e de maneira funcional; nada realmente atrapalha o seu divertimento e a sensação de ação desenfreada
Achei bem satisfatório como após longas etapas mais longas e paradas, com investigação, stealth e algo mais cadenciado, no final do capítulo você pode, talvez, controlar Bond causando a desgraça na Terra.
Explosões para todos os lados, direção super rápida em carrões ágeis, em mapas variados que são uma boa recompensa para quem já estava cansado de andar pelas beiradas dos prédios e pegar os inimigos na surdina.



A licença para matar
Como já foi anunciado em vídeos pré-lançamento, James não é um santo. Obviamente, se atirarem nele, ele atira de volta; contudo, esses momentos são especiais, e os desenvolvedores tiveram o máximo de cuidado para que os jogadores não recorressem sempre ao método mais agressivo logo de cara.
Inicialmente, ao pegar uma arma, o jogo avisa que só será liberada a violência como uma resposta à mesma agressividade dos inimigos. Portanto, recomenda-se que você não seja muito imprudente, porque o Bond (ainda) não é o Batman deste universo.
Se causar muita confusão, os inimigos alertarão outros. Isso pode, logo de cara, tanto falhar a missão quanto trazer um grupo de capangas que te massacrarão com os punhos (e toda a mobília do ambiente) na sua cara, dificultando a vida de um agente que não será mais tão secreto assim.
Sim, é possível virar o jogo com habilidade, medindo o timing dos contra-ataques e dos movimentos especiais (principalmente contra os brutamontes que derrubam). Porém, temos que concordar que tombar todo mundo na pancada não é o objetivo do jogo.
Pelos cenários, você encontrará itens colecionáveis, cargas (de energia, veneno, etc.) para as funções do seu relógio espião e diálogos opcionais com NPCs. Esses diálogos, muitas vezes obtidos ao ouvir na maciota, sem chamar atenção, podem criar estratégias diferenciadas para você concluir as missões.

Aqui, quem é veterano de Hitman já sabe do que estou falando, e é um dos pontos fortes da desenvolvedora. É recomendado jogar com o ritmo mais controlado possível, pegando os inimigos de surpresa e usando todas as funções preferidas do seu relógio (que você pode, inicialmente, escolher 3 ferramentas especiais do seu gadget, antes de sair para missões).
Ao avançar nas missões, dependendo do contexto (que normalmente não é o jogador que define), aí sim a trama liberará fugas explosivas, em alta velocidade, e a famosa licença para matar; todavia, os responsáveis quiseram deixar claro que essas sempre são as últimas opções de um espião (obviamente).
Quando a sutileza não for mais opção, você poderá usar o modo de foco (L3) para atirar em câmera lenta, com uma barra que será recarregada baseada nos seus abates de inimigos.
Sendo assim, será mais fácil atirar nos joelhos e nas mãos (ou na cara mesmo, vamos ser sinceros) para desarmar os soldados, tirando assim a arma deles e virando o jogo.

Fora a história, o que tem para fazer no novo 007?
Ao concluir as missões, serão liberadas missões em realidade virtual (RV), que você pode reproduzir tanto pelo Menu Principal quanto em segmentos específicos da aventura.
Essas missões são variadas: stealth, combate corpo a corpo, etc. São os vários elementos do gameplay unidos em uma estrutura que prioriza a competição.
Neste modo, você pode competir com a melhor pontuação tanto em um ranking com amigos quanto com estranhos pela internet.
Com o avançar da história, são liberados novos cenários e desafios, inspirados pelos mapas que Bond viaja no modo principal. Logo, esta aqui será a opção para quem terminar a trama, mas ainda quiser um gostinho de quero mais.
Ao terminar a jornada que marcará o inicio da lenda do agente 007, será possível também jogar em dificuldades mais avançadas, para conquistar objetivos especiais; todavia, no meu ponto de vista, os desafios são as principais opções para quem terminar o jogo pela primeira vez e ainda quiser mais diversão.



Leia mais
- REVIEW | MOUSE: P.I. For Hire é uma ótima homenagem aos clássicos
- REVIEW | Pragmata é um jogo de ação empolgante e cativante na medida certa
- REVIEW | Tales of Berseria Remastered é um ótimo JRPG, mas relançamento não se justifica
Opiniões finais sobre 007: First Light no PC
Sendo assim, esta aventura, que busca reintroduzir o icônico agente 007 para novas e antigas gerações no mundo dos videogames, fica com a Medalha de Prata, sendo nota 8, se colocarmos em números.
E, não menos importante, como sempre destaco, as legendas estão ótimas, com excelente tradução e localização para o nosso idioma, fator que considero fundamental nos dias de hoje.
O jogo tem um potencial enorme (que ainda pode ser mais lapidado) e boa variedade. Como estamos falando da reintrodução de James Bond para um público mais moderno (composto de novos e antigos fãs), eu gostaria, com sinceridade, que este fosse o início de uma nova saga ou trilogia, seguindo esta história de origem.
Para possíveis continuações, gostaria de especialmente duas melhorias:
- Que a inteligência artificial dos inimigos fosse aprimorada. Não quero inimigos que sejam mais agressivos ou esponjas de danos, mas MAIS INTELIGENTES. Quebra bastante a imersão você destruir o cenário dentro de um quarto e, logo atrás de uma porta, ninguém nem notar sua presença. Este é um problema que acontece desde a geração do PS1… e já passou da hora de resolverem, definitivamente;
- Que as mecânicas de batalha corpo a corpo sejam um pouco mais refinadas, diminuindo a incidência de “deslizamentos magnéticos” entre o seu personagem e os adversários, para que as coreografias fiquem menos artificiais e aumentem a imersão.


Antes de finalizar, ressalto também que esta build de testes, que tive acesso, tem alguns probleminhas chatos de otimização.
Em jogos como este e Hitman, mesmo sem morrer, algumas seções gosto de passar na surdina, portanto, uso bastante a opção de “reiniciar do último checkpoint“.
A partir de momentos mais avançados da aventura, o meu jogo sempre travava quando eu reiniciava o ponto de salvamento, precisando fechar tudo e abrir novamente.
Isso minou um pouco da minha paciência; contudo, imagino (e espero) que a versão final lance com as arestas aparadas, sem pequenas inconveniências como a que mencionei.
Com isso, chegamos ao fim da minha análise. O que achou desta aventura? Ansioso para encarnar o jovem Bond? Compartilhe as suas experiências e expectativas e continue acompanhando o Adrenaline!
Gráficos competentes e relativamente bem otimizados, com bons truques (ocasionais) para simular reflexos mesmo sem path tracing;
Jogabilidade variada. Temos espionagem cadenciada, lutas corporais decentes, tiroteios explosivos e fugas em alta velocidade (tudo com boa jogabilidade);
Personagens e trilha sonora dignas de um filme para as telonas do James Bond;
O protagonista é altamente cativante, mantendo a essência charmosa do icônico espião;
Divertido de jogar no stealth e no modo mais ação;
Um possível início de uma nova e empolgante saga para o agente 007 nos videogames.
Algumas animações nas batalhas corpo a corpo parecem artificiais, parecendo que o Bond “desliza” para encaixar nos movimentos dos inimigos;
A inteligência artificial não é ruim, mas está longe de ser notável. Tem as mesmas limitações de quase todos os jogos de stealth e/ou espionagem das últimas décadas;
Não gosto quando o jogo anuncia suporte a recursos como path tracing, mas o recurso chega meses depois do lançamento;
A otimização da build (para PC) que tive acesso neste review deixou a desejar em momentos mais avançados da trama.
Uma key de 007: First Light na versão para PC (Steam) foi gentilmente cedida pela IO Interactive para a realização desta análise.
