The Adventures of Elliot: The Millennium Tales marca a estreia da Square Enix no estilo HD-2D, explorando profundamente a ação em tempo real. A proposta do jogo pode levar um tempo até se revelar em sua totalidade, mas aqueles que se dedicam algumas horas à experiência descobrirão uma aventura envolvente e com uma profundidade impressionante — desde que busquem por ela.
Assim como o colega Henrique Weinzemann, que escreveu uma prévia sobre o título, eu também sai das primeiras horas de jogatina com a impressão de estar diante de um jogo simples e relativamente fácil. Contudo, ao me aprofundar na narrativa que abrange diferentes momentos históricos, encontrei um jogo desafiador e uma história intrigante pela sua complexidade.
O protagonista do jogo é Elliot, um dos raros aventureiros no mundo de Philabieldia. Com suas habilidades de combate, ele navega por cenários repletos de criaturas e obstáculos que ameaçam a humanidade. Em busca de respostas, Elliot aceita investigar uma porta enigmática que o transporta para uma jornada através de várias eras.
The Adventures of Elliot traz ação direta ao ponto
Aqueles que experimentaram a demonstração gratuita de The Adventures of Elliot já estão familiarizados com a essência do jogo. Ele segue o estilo de ação reminiscentes de Zelda, com combates em tempo real onde utilizamos espadas, lanças, bumerangues e diversas armas contra inimigos variados.
Embora essa descrição permaneça válida durante toda a aventura, é somente quando as viagens temporais começam que o jogo adquire uma nova camada de complexidade. Nesse momento, o ritmo da narrativa acelera e surgem adversários mais desafiadores, além da abertura de conteúdos secundários.
Esses conteúdos incluem missões opcionais que contam pequenas histórias cativantes e oferecem melhorias como expansões no inventário e upgrades nos equipamentos. Além disso, há labirintos e áreas inteiramente opcionais. Todos esses elementos são diretos e podem ser completados em 20 a 30 minutos, garantindo sessões satisfatórias com o game.
Entre esses aspectos, dois se destacam: as batalhas contra chefes e os labirintos que oferecem novas habilidades e upgrades. Os chefes presentes no jogo são imponentes e apresentam alguns dos designs mais detalhados da obra, cada um com padrões de ataque variados e elementos de plataforma.
Os pequenos labirintos lembram os santuários encontrados em The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Ao entrar nesses locais, o jogador enfrenta desafios lógicos ou de plataforma e arenas de combate — recompensando-o com melhorias na vida do protagonista. Em casos específicos, também podem conceder novas habilidades ou upgrades para Faie, a fada que acompanha Elliot.
Uma aventura entre eras
Embora o mapa básico do Adventures of Elliot permaneça consistente entre as diferentes eras, os desafios variam conforme o período visitado. Por exemplo, um templo em ruínas no presente pode abrir caminhos ocultos e desafios adicionais no passado, premiando aqueles que se dispõem a explorar além da narrativa principal.
Da mesma forma, alguns atalhos mudam entre épocas, forçando o jogador a seguir uma progressão levemente distinta dependendo do período em questão. Contudo, como o mapa não é excessivamente extenso, não é incômodo ter que desbloquear novamente pontos de viagem rápida entre as eras.
Embora as transições temporais não sejam tão refinadas quanto em Chrono Trigger, elas ainda proporcionam dinâmicas interessantes. Contudo, acredito que o título poderia melhorar permitindo que os jogadores realizassem essas transições um pouco mais cedo e não restringindo muitas atividades relacionadas a elas apenas às missões secundárias.
E o que não funciona tão bem?
The Adventures of Elliot é um título ágil e divertido que apresenta boas ideias e funciona bem no PlayStation 5 — plataforma utilizada para nossos testes. No entanto, há alguns problemas notáveis. O primeiro deles é característico da Square Enix: a falta de tradução para o português brasileiro.
Outro ponto fraco diz respeito à profundidade do gameplay. Apesar da variedade nas armas disponíveis ser interessante, cada uma delas possui um número bastante limitado de movimentos. Por exemplo, ao usar a espada não há combos disponíveis; os ataques realizados no início permanecem os mesmos até o final — mesmo após adquirir versões mais poderosas do equipamento.
Ainda assim, o sistema de gemas pode atualizar equipamentos durante toda a jornada com modificadores úteis. Porém, deixa-se sentir falta de combos mais diversificados na jogabilidade — especialmente considerando a limitada seleção de armas disponíveis.
Por último, uma crítica comum feita por muitos jogadores sobre God of War: Ragnarok se aplica aqui: a excessiva fala dos companheiros. Mesmo ajustando as configurações para reduzir dicas frequentes, os aliados continuam comentando desnecessariamente — como quando identificam baús muito visíveis nas proximidades.
Adventures of Elliot: The Millenium Tales vale a pena?
The Adventures of Elliot oferece muitos aspectos positivos para quem busca uma boa experiência em aventuras. Com seus labirintos diversos e um universo instigante repleto de recompensas opcionais,ele se mostra um título capaz de sempre oferecer algo novo, seja em sessões curtas ou longas maratonas.
No entanto, seu início mais lento pode fazer com que essas qualidades não sejam totalmente percebidas na demonstração disponibilizada pela Square Enix. Aqueles dispostos a superar essa fase inicial encontrarão um jogo honesto — apesar da falta de grandes inovações dentro do seu gênero.
Caso tivesse mais profundidade em seu sistema de combate, oferecesse tradução para o português brasileiro e reduzisse as falas dos companheiros excessivos, Adventures of Elliot poderia ser considerado indispensável. Mesmo assim, na forma como foi lançado pela Square Enix , continua sendo uma experiência divertida e representa um acerto por parte da desenvolvedora.
Gráficos belíssimos inspirados em sprites 2D
Batalhas contra chefes muito interessantes
Desafios opcionais envolventes com bom nível de dificuldade
Missões secundárias gratificantes
Narrativa cativante explorando bem viagens no tempo
A narrativa leva tempo para se desenvolver adequadamente
A jogabilidade em combate carece de maior profundidade
Ausência total da tradução para português brasileiro
Companheiros falantes demais mesmo após ajustes nas configurações
A versão testada foi jogada no PlayStation 5 com código fornecido pela Square Enix.
