Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok é a mais recente expansão do jogo Granblue Fantasy: Relink, e, curiosamente, esta pode ser uma das poucas ocasiões em que o termo “mais do mesmo” é considerado um elogio.
É importante ressaltar alguns pontos. Primeiro, na época do lançamento do título original, não realizamos uma análise, o que torna necessário que algumas observações sejam feitas agora. Além disso, os criadores inicialmente planejaram desenvolver um novo jogo, mas acabaram optando por uma expansão como a melhor solução.
Essa decisão explica algumas escolhas feitas na nova expansão, como a ênfase em chefes que apresentam arenas específicas e mecânicas próprias, sem replicar a mesma profundidade narrativa do jogo base nas fases iniciais deste conteúdo.
Por último, não abordarei o jogo mobile que também está disponível no Steam e que compartilha muitos elementos com esta nova versão.
Duas grandes experiências, dois grandes sistemas
De forma geral, a nova entrega traz dois sistemas principais. O primeiro é um sistema narrativo que coloca os jogadores em batalhas cinematográficas em cenários variados, que vão desde arenas até mapas mais amplos. Essas fases servem como tutoriais e o jogador pode contar com personagens controlados por inteligência artificial, tornando a experiência mais acessível.
O segundo sistema é o modo cooperativo, onde os jogadores têm liberdade para escolher qualquer personagem e enfrentar desafios de maneira mais flexível, utilizando mecânicas aprimoradas. Afinal, o jogo pressupõe a colaboração entre jogadores humanos e “tira as rodinhas de bicicleta”.
No entanto, isso não implica que toda a campanha base seja apenas “fácil”; “tranquila” seria uma descrição mais apropriada.
Os combates são divididos entre aqueles que exigem habilidade do jogador e aqueles que dependem dos equipamentos utilizados. Portanto, não adianta apenas ter atributos altos; habilidade também é crucial. Para ajudar nesse aspecto, há indicadores de poder tanto para os personagens quanto para os inimigos.
A missão inicial do jogo começa com menos de 1.000 de poder, enquanto as missões da expansão já têm início com 23.000. Essa discrepância numérica pode ser desconfortável para alguns jogadores, pois o grinding é um aspecto real do jogo, embora existam várias mecânicas para torná-lo menos cansativo.
Por exemplo, não é necessário usar um único personagem para subir de nível; os pontos de experiência são distribuídos entre todos. Da mesma forma, os pontos de atributo necessários para desbloquear habilidades são compartilhados entre os integrantes do grupo.
Aventura e arenas
No fundo, muitos jogadores notarão que a experiência da campanha se assemelha mais a uma aventura repleta de missões em arenas. As novas missões de Confluência introduzidas nesta expansão alteram essa dinâmica de certa forma.
Isto não indica a ausência total de elementos aventureiros nas missões; porém, a experiência geral é bastante distinta.
As missões de Confluência mantêm várias arenas sequenciais; no entanto, nem todas se concentram em combate. Algumas delas incluem testes de plataforma ou desafios de memorização.
O resultado final é uma jogabilidade mais próxima da aventura tradicional; ainda assim trata-se de um estilo roguelike com benefícios temporários após cada arena completada típicos desse gênero.
Além disso, existem diversas atividades secundárias que enriquecem ainda mais o jogo. Cada missão em arena possui uma lista com três objetivos adicionais que podem aumentar a pontuação e melhorar as recompensas obtidas.
A campanha também oferece recompensas secundárias através da exploração das missões iniciais, facilitando assim o progresso dos novos jogadores.
Mecânicas e atributos
Não posso deixar de mencionar que os atributos desempenham um papel essencial dentro do jogo; para as batalhas mais desafiadoras, criar uma build adequada torna-se parte fundamental da estratégia. Contudo, entender como utilizar cada personagem (e eles são diversos) e as mecânicas específicas dos chefes também se mostra crucial.
Ajustar esse equilíbrio pode ser complicado, mas os desenvolvedores conseguem entregar essa proposta com eficácia. Para iniciantes, recomenda-se focar em um ou poucos personagens antes de aprimorar outros até alcançar o final do jogo.
No entanto, o grinding excessivo foi um fator que impactou negativamente minha avaliação sobre o jogo. Não porque eu não aprecie esse aspecto, mas porque ele se torna tão intenso que existem guias dedicados ao farming enquanto se está AFK (Away From Keyboard).
Conforme mencionei anteriormente, as diferenças nos níveis de poder podem ser bastante significativas; mesmo assim algumas missões facilitadas pelos atributos podem frustrar aqueles jogadores que não tiverem um domínio mínimo das mecânicas dos chefs adversários.
Sobreviver é uma coisa; ser eficiente contra um chefe ao ficar preso em ciclos contínuos de dano é outra completamente diferente. Portanto, mais importante do que simplesmente aumentar atributos é compreender como funcionam tanto os personagens quanto os chefes.
E vale destacar outro ponto: embora as disparidades nos níveis possam intimidar alguns jogadores, certos chefes ainda podem ser derrotados se a habilidade compensar adequadamente.
Cinematográfico
A experiência geral proporcionada pelo jogo pareceu muito cinematográfica e voltada para oferecer momentos grandiosos ao jogador. Isso se reflete nas lutas contra chefes nas arenas onde frequentemente há prazos apertados para derrotá-los como parte dos objetivos propostos.
No entanto, existem momentos em que os chefes tornam-se efetivamente invulneráveis temporariamente; nessas situações o tempo continua correndo. Há ocasiões em que mesmo estando presentes na arena eles realizam tantos ataques simultaneamente que torna-se impossível contra-atacar. Nesses instantes até mesmo atributos elevados não garantem eficiência nos ataques realizados.
Caso a contagem não parasse nesses momentos críticos seria frustrante ver um chefe com 1% de HP entrar nessa fase e perder bônus preciosos por segundos perdidos.
Tais situações fazem parecer que os chefes são realmente poderosos (mesmo quando não representam um desafio real), conferindo às lutas um tom cinematográfico épico. Isso implica também que muitos jogadores não conseguirão completar suas missões logo na primeira tentativa (principalmente considerando objetivos secundários), mas isso faz parte da diversão.
A aprendizagem faz parte do processo, e mesmo após derrotas alguns recursos continuam sendo disponibilizados aos jogadores para aprimorar seus personagens e equipamentos.
No entanto, vale ressaltar neste ponto que diversos momentos do jogo poderiam facilmente render belos papéis de parede.
Aquilo que não gostei
Não posso negar minha preferência por uma maior quantidade de missões cooperativas semelhantes à experiência da campanha principal. Também gostaria de ver menos sistemas voltados ao fortalecimento dos personagens.
No entanto, as mecânicas apresentadas pelos chefes são intrigantes e a tutorialização está bem elaborada. Além disso, partidas rápidas com engajamento estão se mostrando atrativas em comparação com longos períodos explorando cenários sem luta ativa.
Cabe mencionar ainda um ponto delicado: a excessiva quantidade de mecânicas associadas ao ambiente cinematográfico pode complicar a compreensão dos eventos pelo jogador. Mudanças frequentes na câmera somadas à sobrecarga visual podem criar confusão nas cores exibidas na tela.
Caso haja algum componente capaz de desestimular os jogadores esse pode ser exatamente ele. Para alguns usuários Granblue Fantasy pode parecer abarrotado demais em termos visuais para processar eficientemente tudo o que acontece durante as jogatinas.
A campanha fornece uma introdução gradual às mecânicas presentes no jogo; contudo existe um limite para todos nós e chefes desafiadores podem ultrapassar esses limites com facilidade para alguns jogadores.
Vale a pena?
Um aspecto relevante discutido ao final diz respeito ao fato dessa atualização trazer muito mais conteúdo além do endgame; a nova expansão adiciona elementos relevantes para praticamente todos os níveis dentro do jogo. Na prática isso caracteriza uma expansão “horizontal”.
Isto quer dizer que ela amplia todos os aspectos do título sem restringir-se apenas a oferecer algo novo aos veteranos da saga. Consequentemente até mesmo novos jogadores poderão desfrutar de uma excelente experiência ao ingressar no universo desse game.
Acredito que ajustes serão feitos após o lançamento; isso ocorre normalmente porque as análises realizadas pelos desenvolvedores ainda não capturam completamente tudo aquilo capaz ser explorado pela comunidade através das interações dos players com os números disponíveis no game.
Diante da excelente avaliação recebida pelo título na Steam é evidente o comprometimento dos desenvolvedores em atender às expectativas dos jogadores — uma notícia sempre animadora!
- Mecânicas desafiadoras e diversificadas tanto para personagens quanto chefes
- Tutorialização excelente acompanhada por facilidades no gameplay
- Batalhas envolventes com caráter cinematográfico
- A integração entre jogabilidade e narrativa ocorre de maneira primorosa durante toda experiência
- Muitas missões estão centradas no conceito de arenas
- O tempo necessário para grindar pode ser excessivo para alguns jogadores
- A tela ocasionalmente fica sobrecarregada com informações visuais
Uma chave do Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok foi gentilmente fornecida pela Cygames na versão PC (Steam) para efeito desta análise.
