Independentemente das suas preferências pessoais, é impossível ficar indiferente a High on Life 2. A sequência do universo criado pela Squanch Games em 2022 chega com um roteiro ainda mais caótico e com tiradas sarcásticas afiadíssimas.
Porém, somente o humor ácido característico da série, não é suficiente para segurar um gameplay com muitas inconsistências e com alguns elementos capazes de irritar você no meio do caminho.
Joguei uma versão em acesso antecipado, mas mesmo as atualizações liberadas na primeira semana pública do game não foram suficientes para corrigir bugs, alguns deles comprometedores do gameplay.
Entendendo onde você está se metendo
Eu não joguei nada além de uma demo de High on Life, lançado em 2022, porém desde o início o título deixa claro que se trata de uma continuação direta da história. Mesmo não estando familiarizado com os detalhes, não me senti perdido na trama, de maneira que não considero obrigatório jogar o primeiro game antes do segundo.
O que considero essencial é que você entenda aqui onde está se metendo. Essa é uma história caótica, feita sob medida para quem gosta de séries como Ricky and Morty. Prepare-se para um humor ácido, com elementos surreais, recheado de comentários sarcásticos totalmente adultos.
Para entender a história, será preciso ler as legendas em português, já que não há dublagem em nosso idioma (e nesse game isso seria um diferencial e tanto). Há muito diálogo e os personagens literalmente não param de falar durante o gameplay. Portanto, se isso te incomoda, que sirva de alerta.
De herói a fora da lei: continuando a história
Nesta sequência, você não é mais um novato, mas sim um caçador de recompensas famoso em toda a galáxia. No entanto, a paz dura pouco: a corporação Rhea Pharmaceuticals surge como a nova vilã, planejando reclassificar a raça humana como gado para transformá-la em pílulas medicinais “legais”.
Quando sua irmã Lizzie, agora envolvida em grupos de direitos dos animais, acaba na mira de outros caçadores, você se torna um fugitivo, um “fora da lei”, e deve lutar para salvar a humanidade novamente.
Tudo isso acompanhado de um arsenal de armas falantes que vão além de Knifey e Gus. Agora, há mais três personagens para falar sem parar enquanto atiram:
- Travis: uma submetralhadora que vive uma crise de meia-idade e um divórcio traumático.
- Bowey: um arco composto que abre fendas dimensionais.
- Sheath: um rifle de assalto.
Gameplay transformado: de skate pelos cenários
Talvez a maior das novidades que afetam a jogabilidade de High on Life 2 é a introdução do skate. Com ele, são adicionados diversos cenários em que você precisa deslizar por trilhos, subir em paredes e fazer manobras acrobáticas, tanto em sequências-solo de transição quanto durante o combate.
Essa escolha dá um dinamismo maior ao game, já que as coisas parecem sempre acontecer “mais rápido” ou “em movimento”. Mesmo o simples ato de mirar e atirar, por exemplo, se transforma a partir do momento em que você precisa levar em consideração esse novo elemento.
Por outro lado, esse excesso me pareceu cansativo: o jogo poucas vezes permite que você recupere o fôlego, exceto durante puzzles e sequências nas quais mais elementos da história são apresentados.
Um roteiro super afiado
Quando falo do roteiro de High on Life 2 não me refiro necessariamente à sua história, que por natureza é caótica e ligeiramente confusa. Porém, os diálogos são simplesmente sensacionais. Trata-se de um humor que vai do “adulto” ao “quinta série” em questão de segundos, sempre com muita propriedade.
Há alfinetadas nas convenções (como a ComicCon, aqui representada pela ConCon, com convenções até mesmo sobre assassinatos), nos coaches espirituais e, principalmente, na indústria farmacêutica e nos bilionários.
As gatlians, as armas do game, não param de falar por um minuto e essa é a opção padrão do jogo. Você pode reduzir a frequência de fala delas nas opções, mas acredite: grande parte do mérito do game está nesses diálogos e escondê-los pode deixar o jogo mais chato.
Não vejo muito meio termo aqui: ou você aproveita os diálogos e suporta as piadas incessantes, ou dá um cala a boca nas armas e abre mão de muita diversão.
Mostre seu lado investigador
Em dois ou três momentos do game você vai precisar colocar o seu lado investigador à prova. São sequências longas nas quais você entrevista personagens, cruza dados e toma decisões para tentar entender quem é o verdadeiro culpado por algum crime.
Sem spoilers, mas na sequência final de High on Life 2 você vai enfrentar um momento bastante longo, repleto de hipóteses, mas que parece amarrar praticamente todas as pontas soltas que são apresentadas durante o desenrolar da história. É mais uma prova de que o roteiro foi bem pensado.
Porém, novamente fica o alerta: se prestar a atenção em diálogos legendados não é muito a sua praia, aqui você não terá como escapar disso.
Desempenho: o grande problema
Para a realização dessa análise, usei um PC com configurações robustas: CPU AMD Ryzen 7 7800X3D, GPU NVIDIA GeForce RTX 4080 Super e 64 GB de RAM. Ou seja, sem desculpa para quedas de desempenho ou falta de recursos no meio do caminho. Porém, não é isso que se vê.
Em alguns ambientes, com cenários multicoloridos e inúmeros efeitos especiais alucinógenos, fica perceptível que há queda de frames. Joguei uma versão liberada antes do lançamento público e conferi alguns elementos novamente uma semana depois de o jogo ser liberado para todos: muitos dos bugs estão lá.
Em alguns momentos, chefões “sumiam” em meio aos cenários e personagens ficavam travados e não iniciavam diálogos (sendo preciso reiniciar o jogo). Algumas correções são simples e, espero, devem vir com patches ao longo das semanas. Já a questão das quedas de desempenho pode demorar um pouco mais para ser resolvida.
Vale a pena?
High on Life 2 não é um jogo para qualquer um. Primeiramente, você precisa prestar bastante atenção na história para aproveitar a enxurrada de piadas sarcásticas e referências da cultura pop que são jogadas na sua cara a todo momento. Sabe aquele game que você joga para
