ANÁLISE | Arc Raiders confirma a consolidação dos shooters de extração no cenário dos games

Arc Raiders, criado pela Embark Studios, não é o pioneiro no segmento de jogos de extração, nem apresenta a jogabilidade mais polida já vista na indústria. Contudo, sua combinação de elementos pós-apocalípticos, surpresas e um ciclo de gameplay cativante o torna um dos lançamentos mais empolgantes de 2025.

Disponibilizado no final de outubro, o jogo convida os jogadores a mergulharem em um universo devastado por circunstâncias enigmáticas. O que se observa na superfície são escombros e uma variedade de seres mecânicos autônomos, conhecidos como Arcs, cuja única missão é eliminar qualquer ser humano que cruzar seu caminho.

Dentro desse cenário, Arc Raiders desafia os jogadores a percorrer locais arruinados em busca de suprimentos, armamentos e respostas sobre o futuro da humanidade. Entretanto, seus planos podem ser prejudicados a qualquer momento por outros jogadores, que também estão na mesma luta pela sobrevivência.

Arc Raiders é intenso, mas extremamente recompensador

No início das partidas, Arc Raiders pode parecer um jogo simples que se resume a explorar a superfície em busca de itens e retornar à base — uma dinâmica que realmente compõe grande parte do gameplay. No entanto, rapidamente se revela mais complexo. Ao interagirmos com NPCs em Esperanza, o último abrigo da humanidade, recebemos diversas missões que nos ensinam mecânicas e permitem uma exploração diferenciada das fases disponíveis.

Essas missões vão desde encontrar pontos específicos nas ruínas para fotografá-las até coletar partes específicas de inimigos para utilizá-las contra outros seres mecânicos como uma espécie de granada. Embora nem todas sejam complexas ou proporcionem grandes revelações narrativas, esses objetivos ajudam a direcionar a aventura e incentivam o avanço por cenários pouco familiares.

A diversidade dos locais também contribui para a vontade de explorar. Cada área possui uma identidade única e estruturas que indicam claramente a raridade e quantidade dos itens que podemos encontrar — informações acessíveis a todos.

Além disso, quanto maiores as recompensas prometidas, maior é a probabilidade de encontrarmos os Arcs e outros jogadores nessas áreas. Isso gera uma dinâmica interessante entre risco e recompensa — especialmente porque perder uma vida implica em perder todos os itens do inventário (com algumas raras exceções).

Arc Raiders oferece locais intrigantes que incentivam a exploração.

Dessa forma, cada partida levanta vários questionamentos: vale a pena aventurar-se em áreas com recompensas elevadas correndo o risco de encontrar jogadores hostis? É preferível avançar devagar, mesmo correndo o risco de não encontrar muitos itens ou apressar-se e chamar atenção dos inimigos?

Deve-se buscar todos os objetivos simultaneamente ou é melhor ir com calma e montar aos poucos um conjunto interessante de equipamentos? E quando conseguir esses equipamentos valiosos, será prudente usá-los? Afinal, aquela arma conquistada com tanto esforço pode ser perdida se você não retornar vivo para Esperanza.

<pEnquanto essas incertezas poderiam paralisar outros jogos, em Arc Raiders elas tornam ainda mais gratificantes as ocasiões em que conseguimos voltar para casa sãos e salvos após um confronto difícil. Poucas experiências são tão satisfatórias quanto retornar à base com energia escassa e poucas balas após uma partida caótica onde tudo parecia perdido.

A dinâmica do jogo também é enriquecida por eventos dinâmicos que garantem que você nunca estará completamente seguro em um mapa. Quando parece que você já desvendou todos os segredos do local, ele pode ser atingido por tempestades elétricas ou invadido por uma colheitadeira gigante — além disso, incursões noturnas podem alterar as regras do jogo ao transformar a luz da lanterna em um sinalizador para inimigos.

Pacífico ou agressivo? A escolha é sua

Como muitos títulos do gênero shooter voltado para extração, Arc Raiders adota um estilo PvEvP. Contudo, durante nossos testes, a interação PvP não foi sempre predominante na experiência — especialmente ao jogarmos em grupo. Dado que o ambiente do jogo é hostil para todos os participantes, frequentemente encontramos outras equipes dispostas a colaborar ou pelo menos coexistir pacificamente.

No entanto, não são raras as situações em que grupos atacam antes mesmo de conversar, ou fingem amizade apenas para emboscar outros jogadores. Essa imprevisibilidade pode ser frustrante às vezes mas enriquece bastante a atmosfera do jogo.

Os inimigos também contribuem para essa atmosfera mais “pacifista” durante algumas missões. Um drone isolado pode não representar grande ameaça; no entanto, um grupo deles pode acabar facilmente com qualquer explorador desavisado. Quando criaturas mais poderosas entram em cena, provocar os robôs inimigos equivale a desistir da partida e aceitar perder seus itens acumulados.

E isso motiva muitos aventureiros em Arc Raiders a conter sua ganância e evitar ataques contra grupos focados apenas na exploração e cumprimento das missões. Afinal, não adianta roubar as recompensas alheias se isso desencadeia um tiroteio que atrai inimigos controlados pela IA e outros jogadores no mapa.

Arc Raiders se destaca pela performance mas apresenta falhas

Um aspecto notável em Arc Raiders é sua capacidade de realizar o que parecia impossível. Desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo exibe gráficos impressionantes enquanto mantém bom desempenho mesmo em máquinas menos potentes.

A Embark Studios optou por deixar de lado alguns recursos pesados da engine como Lumen e Nanite. Embora isso signifique que o título não exiba os melhores gráficos do mercado atual, ele ainda proporciona uma experiência visual sólida acessível a diversos jogadores — um fator crucial para um jogo dependente do multiplayer saudável.

No entanto, isso não significa que o game seja isento de falhas. Durante nossos testes foram observados alguns crashes pontuais que interromperam partidas ativas. Além disso houve momentos pontuais de stutter sem frequência suficiente para serem considerados constantes nas jogatinas.

Bugs específicos também apareceram nos mapas: áreas onde jogadores ficam presos acidentalmente ou inimigos que parecem “teletransportar-se”, além de locais sem colisão onde deveria haver barreiras. Contudo esses detalhes menores não comprometem significativamente a experiência geral criada pela Embark Studios.

A Unreal Engine 5 proporciona belos gráficos enquanto mantém bom desempenho mesmo em máquinas menos potentes.

O realmente frustrante é o sistema de gerenciamento do inventário do jogo; ele pode consumir mais tempo do que muitas partidas propriamente ditas. Aparentemente nunca há espaço suficiente (especialmente no início) devido à diversidade de cabos, conexões e itens mecânicos disponíveis tornando complicado decidir o que guardar ou descartar.

A boa notícia é que a comunidade rapidamente começou a criar guias úteis para facilitar essa organização no título e compreender melhor quais caminhos seguir. Entretanto aqueles que preferirem descobrir tudo sozinhos terão que estar preparados para algumas horas dedicadas ao aprendizado sobre os itens coletáveis no jogo.

Mas vale realmente investir neste game?

Sinceramente: antes de experimentar Arc Raiders durante sua última fase de testes eu havia ignorado bastante esse título e não me envolvi no seu ciclo promocional. No entanto, desde seu lançamento tenho contado as horas para finalizar minhas obrigações diárias e me aventurar novamente nesse mundo pós-apocalíptico.

Com mapas diversificados, eventos dinâmicos variados e uma relação atraente entre risco e recompensa, o jogo justifica plenamente seu sucesso entre o público gamer. Embora existam aspectos imperfeitos,o trabalho realizado pela Embark Studios oferece material suficiente para várias horas repletas de aventuras, especialmente quando compartilhadas com amigos.

Caberá ao futuro determinar se Arc Raiders enfrentará desafios típicos dos grandes jogos multiplayer; apesar das promessas contínuas de suporte da Embark Studios ser incerto neste momento específico da avaliação realizada pelo autor. Contudo até agora este título apresenta um universo fascinante digno da exploração — apesar das inevitáveis batalhas intensas e fracassos à espera dos personagens dos jogadores.

Nossa análise foi realizada no PC com uma chave disponibilizada pela Embark Studios.

Prós

Níveis variados repletos de desafios interessantes

Sistema PvEvP tenso mas recompensador

Diversidade nas armas torna seu aprendizado divertido

Excelente performance considerando ser um game desenvolvido na Unreal Engine 5

Dinamismo social muito instigante entre os jogadores

Contras

Pontos ocasionais com crashes ou bugs menores

Sistema gerenciador do inventário poderia ser aprimorado

By Power Play Games

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