ANÁLISE | Last Flag é entretenimento garantido, mas enfrenta desafios para se destacar no mercado

O jogo Last Flag, uma criação do estúdio Night Street Games, faz sua estreia sob a direção de Mac Reynolds, vocalista da banda Imagine Dragons, e seu irmão Dan Reynolds. Em abril, tive a chance de entrevistar Dan sobre as intenções por trás do game.

Distante de ser apenas mais um shooter convencional, o jogo se baseia em uma ideia nostálgica: transformar a famosa brincadeira infantil de “pique-bandeira” (Capture the Flag) em uma competição caótica com um toque dos anos 70.

A concepção do game reflete a infância dos irmãos Reynolds. Eles relataram que nunca encontraram um jogo que replicasse a alegria das brincadeiras de antigamente. Assim, o estúdio foi fundado com o intuito de materializar essa visão. Será que conseguiram?

Estratégia e Caos

Ao contrário de outros shooters onde capturar a bandeira é apenas um detalhe, em Last Flag, essa mecânica está no coração da experiência. As partidas 5 contra 5 são organizadas em duas fases: preparação e caça/defesa.

No primeiro minuto, os times devem esconder sua bandeira na metade do mapa designada para eles. Enquanto um membro da equipe realiza o esconderijo, os demais se dedicam a destruir robôs chamados “cashbots” para acumular recursos e aprimorar suas habilidades durante o jogo.

Com o início da partida, o objetivo é encontrar a bandeira do time adversário, capturá-la e trazê-la para sua base, onde deve ser defendida por aproximadamente um minuto para garantir a vitória. O jogo é simples de compreender e proporciona partidas rápidas e divertidas.

Um aspecto estratégico interessante são as Torres de Radar. Ao controlá-las, os jogadores podem escanear partes do mapa, revelando gradativamente a posição da bandeira inimiga e facilitando o retorno da equipe ao campo de batalha.

Heróis e Personalização em Um Jogo Completo

No lançamento, Last Flag apresenta nove personagens, cada um equipado com armas e habilidades únicas que lembram o estilo de Overwatch. Por exemplo, o Lenhador atua como tanque do time, causando dano corpo a corpo enquanto possui alta resistência. Por outro lado, Aresenal é especialista em controle de área, capaz de posicionar torres e curar aliados.

Um recurso inovador é o sistema de upgrade em tempo real, que permite aos jogadores evoluir suas habilidades durante as partidas com o dinheiro acumulado. O progresso permanece mesmo se o jogador optar por trocar de personagem após ser eliminado.

O game chega ao mercado já completo e com preço acessível – R$ 43,90 na Steam durante seu lançamento. Futuras atualizações serão gratuitas e não haverá microtransações no jogo.

Visual Marcante e Trilha Sonora de Qualidade

A qualidade visual é um dos pontos altos do jogo, apresentando uma direção artística vibrante com estética dos anos 70, que se reflete no design dos mapas até na narração bem-humorada. A trilha sonora original também incorpora elementos característicos do Imagine Dragons, trazendo um toque especial ao game.

Parece que cada detalhe foi cuidadosamente pensado para evocar as memórias da infância dos irmãos Reynolds, resultando em uma ambientação eficaz. No entanto, apesar dos aspectos positivos mencionados anteriormente, o jogo ainda carece de elementos que possam diferenciá-lo significativamente dos concorrentes.

Tudo Muito Bem, Mas…

A princípio, Last Flag parece funcionar muito bem. Contudo, ele entra em um mercado altamente competitivo que pode ser desfavorável para esse tipo de jogo. Apesar do preço acessível e da diversão proporcionada pelo game, isso pode não ser suficiente para garantir seu sucesso.

A experiência entre jogar Last Flag contra bots ou contra outros jogadores humanos é notavelmente diferente. Se você conseguir reunir amigos ou tiver sorte ao jogar online, certamente terá momentos divertidos em meio ao caos. Porém, quando as partidas são compostas apenas por bots, elas se tornam extremamente monótonas. Isso ocorre especialmente no início do jogo, quando há poucos jogadores disponíveis; nesse cenário você provavelmente enfrentará muitas batalhas contra a inteligência artificial. É nesse ponto que Last Flag pode acabar enfrentando dificuldades significativas.

Conteúdo Limitado e Repetitivo

No lançamento estão disponíveis somente dois mapas (Copper Falls – uma cidade mineradora abandonada – e Snowfield – um ambiente congelado com características de vila) além de apenas um modo de jogo.

Isto representa muito pouco e pode levar à rápida saturação da experiência. Também há uma percepção de falta de polimento nas animações que por vezes parecem travadas.

Entre os conteúdos planejados estão inclusos um terceiro mapa, mais um personagem jogável e uma nova modalidade para captura da bandeira além de itens cosméticos desbloqueáveis. No entanto, mesmo assim considero que isso não será suficiente para atrair ou manter uma base fiel significativa que possa animar as partidas.

Vale a Pena?

A proposta de Last Flag realmente me agradou e pude me divertir jogando-o. No entanto, ao fazer uma análise crítica é necessário ultrapassar preferências pessoais e considerar como esse produto se encaixa no mercado atual. E honestamente, não vislumbro um caminho claro para seu êxito dentro do modelo comercial proposto atualmente.

Ainda que seja acessível financeiramente, Last Flag carece substancialmente de conteúdo; ter apenas dois mapas é insuficiente em um título onde dinamismo e surpresas são cruciais para manter a diversão.

No entanto, considero que o maior desafio reside no fato de que a experiência só se torna interessante com jogadores reais participando das partidas. Os duelos contra bots são insatisfatórios devido à limitações na inteligência artificial deles.

Ainda por cima encontrar jogadores reais pode ser complicado; mas se você tiver sorte ou contar com amigos dispostos a jogar juntos isso poderá mudar completamente sua experiência.

Sinceramente espero que Last Flag encontre sucesso no futuro. Acredito que existe uma intenção genuína por trás deste projeto para criar algo simples mas divertido; contudo não consigo enxergar boas perspectivas para ele dentro do formato atual.

Prós

Proposta original e divertida adequada para todas as faixas etárias.

Totalmente completo sem presença de microtransações.

A estética cartunesca aliada à trilha sonora são destaques positivos do game.

Contras

Poucos mapas disponíveis juntamente com apenas um modo único de jogo.

Dificuldades no balanceamento entre os personagens resultam em lutas desiguais.

A ausência de jogadores reais torna as partidas contra bots pouco atraentes.

Código para Last Flag foi gentilmente fornecido pela Night Street Games para esta análise.

By Power Play Games

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