NVIDIA antecipa nova geração após Blackwell com pista precoce no Linux

A NVIDIA já está se preparando para uma nova arquitetura de GPU que ainda não foi oficialmente revelada. O codinome Blackwell-Next surgiu pela primeira vez nos patches do kernel Linux 7.2, indicando que a empresa está se antecipando ao futuro da geração Blackwell.

A descoberta foi realizada pelo site Phoronix durante a análise das atualizações no subsistema VFIO na nova versão do kernel. Para os usuários, a alteração em si não traz mudanças significativas no uso cotidiano, mas o que o nome implica é bastante interessante.

“Blackwell-Next” aparece no kernel do Linux 7.2

Essa referência está vinculada ao driver nvgrace-gpu vfio-pci, que é responsável por conectar as GPUs aos sistemas que utilizam a CPU Grace. A modificação foi submetida como um pull request no início de junho, com a assinatura do engenheiro Ankit Agrawal.

O patch implementa ajustes para o tratamento do Compute Express Link (CXL) nos chips Blackwell-Next, otimizando como o sistema lida com a Designated Vendor Specific Extended Capability (DVSEC). Essa mudança é justificada tecnicamente, pois existem diferenças na abordagem em comparação com as GPUs Blackwell já disponíveis no mercado.

Do ponto de vista técnico, essa atualização inclui uma rotina de verificação de prontidão baseada em CXL, respeitando os limites máximos definidos nas especificações. Trata-se de um código de baixo nível, uma preparação que costuma ocorrer muito antes do hardware correspondente ser lançado.

O que o patch realmente faz?

O driver nvgrace-gpu foi desenvolvido para facilitar o funcionamento das GPUs da NVIDIA em ambientes virtualizados, especialmente nas plataformas que integram CPU e GPU em um único pacote.

A modificação relacionada ao CXL e DVSEC sugere que a próxima geração apresentará características distintas nessa interface, demandando um tratamento específico dentro do kernel.

No entanto, o código disponibilizado não revela detalhes como frequências, contagem de núcleos ou informações sobre memória nos fragmentos disponíveis. O que se observa é apenas a menção de que algo denominado Blackwell-Next está sendo preparado e precisa de suporte exclusivo.

Rubin, Feynman e a confusão de codinomes

Aqui reside um aspecto intrigante: a NVIDIA geralmente não esconde os codinomes de suas futuras arquiteturas, e seu roadmap é amplamente conhecido.

A geração sucessora à Blackwell é chamada Rubin, com a Rubin Ultra prevista para 2027 e uma nova arquitetura denominada Feynman programada para 2028.

A cadência anual da NVIDIA está bem estabelecida:

Dessa forma, o uso do termo “Blackwell-Next” se destaca. A própria companhia já confirmou que a Rubin substituirá as linhas Blackwell B100/B200 e Blackwell Ultra B300, gerando incertezas sobre se esse codinome diz respeito à Blackwell Ultra, à Rubin ou algo intermediário entre ambas.

A ambiguidade aumenta devido ao fato de o driver pertencer à família Grace, CPU acompanhada pelas GPUs Blackwell, e não à Vera, associada à Rubin.

A hipótese mais provável aponta para Rubin; a empresa vem trabalhando nessa transição há meses e o discurso sobre seguir adiante em seu planejamento parte da alta administração.

“Tem a Blackwell Ultra, tem a Rubin, e depois vou mostrar o que vem um ‘clique’ depois delas. Um produto muito, muito empolgante.”

Jensen Huang, CEO da NVIDIA

Por que não é uma GeForce?

É importante esclarecer que essa novidade não deve ser associada a uma placa gráfica voltada para jogos; trata-se de um trabalho relacionado ao setor de data centers e inteligência artificial, focado em aceleradores e infraestrutura para IA, afastando-se das GeForce destinadas ao consumidor.

A NVIDIA ainda não fez anúncios concretos sobre seus próximos produtos voltados ao público gamer. Há especulações sobre uma linha GeForce RTX 50 “SUPER” surgindo no horizonte; porém, as dificuldades relacionadas ao fornecimento de memória têm impactado negativamente quem monta PCs.

A divisão dedicada aos games também foi integrada pela empresa dentro de uma categoria mais abrangente de computação na borda nos últimos relatórios financeiros.

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Linux pronto antes do Silício chegar

Esses indícios fazem parte da prática habitual da empresa; os engenheiros da NVIDIA frequentemente preparam suporte no kernel meses antes do lançamento físico dos produtos e costumam usar codinomes públicos quando o hardware já é conhecido.

A Rubin iniciou sua produção em massa no começo de junho, com previsão para disponibilidade aos parceiros no segundo semestre de 2026. O suporte para essa próxima geração incluído no Linux 7.2 segue exatamente esse padrão antecipado.

No entanto, o uso do codinome genérico “Blackwell-Next” gera questionamentos; ao invés de utilizar “Rubin” como feito anteriormente em outros patches, a empresa optou por um rótulo menos específico. Se isso for resultado de cautela ou apenas um marcador interno ou mesmo um indicativo de algo ainda não divulgado publicamente permanece incerto até novas atualizações no código aparecerem.

Pelo menos até agora fica registrado que a próxima geração de aceleradores já possui lugar reservado no kernel preparado.

By Power Play Games

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