Quando surgiram notícias sobre o desenvolvimento de Project Motor Racing, a comunidade de jogos de corrida ficou bastante animada. Isso porque quem está por trás do projeto é o mesmo criador de Project Cars, um game que deixou saudade pelo ótimo nível gráfico, pela proposta de realismo e pela excelente jogabilidade.
Porém, basta jogar algumas horas do game desenvolvido pela Straight4 Studios para perceber que as coisas não saíram como o esperado. Aliás, muito pelo contrário. A verdade é que Project Motor Racing é um jogo que não parece estar pronto, mas já está sendo vendido a preço cheio — e caro.
Ainda que a proposta do título seja ambiciosa, o jogo como está agora, nos seus dois primeiros meses de vida, é uma grande decepção. Irritante em muitos momentos, injogável em boa parte do tempo, mas com portas abertas para a comunidade de modders “resolver” alguns problemas.
Um trator não é um carro de corrida
Project Motor Racing utiliza a Giants Engine, da Giants Software. A empresa é amplamente reconhecida pelo sucesso da franquia Farming Simulator e, dentro daquela proposta, o motor gráfico funciona bem. Porém, não parece ser o caso aqui, já que em se tratando de um jogo de corrida, o resultado é um game visualmente defasado.
No PlayStation 5, a sensação é a de estar jogando um game que acabou de sair do PlayStation 3 e está fazendo a sua transição para o PlayStation 4. Falta vida na iluminação, falta volume nas texturas e, ainda que os modelos utilizados sejam interessantes, o resultado final não é convincente.
Falta vida na iluminação, falta volume nas texturas e, ainda que os modelos utilizados sejam interessantes, o resultado final não é convincente.
Tudo parece muito frio, sem uma trilha sonora ativa, sem menus intuitivos. É entrar, selecionar algumas poucas coisas e correr, mas isso deixa as coisas bastante sem graça. Acredito que nem mesmo os mais puristas entusiastas de simuladores vão se animar com o que há disponível.
Mas um simulador não é apenas gráfico…
É verdade, e games como Project Racing estão aí para provar que quem realmente está interessado em simulador de corrida está disposto a abrir mão de aspectos gráficos se o realismo se fizer presente em aspectos físicos. Infelizmente, também não é isso que vemos em Project Motor Racing.
Se você for jogar no controle, se prepare para sofrer. A sensibilidade é extremamente arisca, e os carros parecem não ter sido otimizados para joysticks. Já no volante, o Force Feedback é inconsistente. Tive momentos em que a resistência do volante sumia no meio da corrida, apenas para voltar com um tranco violento, me jogando para fora da pista.
Se você for jogar no controle, se prepare para sofrer. A sensibilidade é extremamente arisca, e os carros parecem não ter sido otimizados para joysticks.
Deixando bem claro: não é uma questão de habilidade e não sou nenhum piloto profissional. Mas comparando o game com o que temos em títulos como Assetto Corsa, por exemplo, um jogo que tem uma curva de aprendizado alta, o resultado aqui é bastante frustrante.
Mas piora…
Se os gráficos não são atraentes e se a jogabilidade é falha as coisas já ficam complicadas. O que dizer então de um sistema de inteligência artificial que parece completamente descalibrado? Na verdade, é como se você não existisse na pista, já que a IA faz o seu traçado como se ninguém estivesse por perto.
O resultado? Você será invariavelmente jogado para fora da pista. E sabe o que é mais injusto? O sistema de penalidades vai punir você por estar ali. Perdi as contas de quantas vezes fui punido por exceder os limites da pista. Obrigado por nada, IA. Valeu mesmo!
E não tem nada de bom no game?
Tem, mas mesmo o que foi feito de maneira mais planejada, não está necessariamente pronto. O modo Carreira é um ótimo exemplo disso, pois se propõe a ser algo diferente. Em vez de apenas colecionar troféus e títulos, você vai precisar gerenciar seu orçamento, já que danos no carro custam dinheiro. Se o dinheiro acaba, o seu sonho de ser um piloto também acaba.
Se você olhar para uma tabela organizada no Excel, terá tanta vibração quanto ver os menus do game. Um simulador não precisa — e não deve — ser chato para ser realista.
Porém, se a ideia é boa, a execução não é. Os menus desse modo são monótonos e sem vida. Sem brincadeira, dá sono. Se você olhar para uma tabela organizada no Excel, terá tanta vibração quanto ver os menus do game. Um simulador não precisa — e não deve — ser chato para ser realista.
Vale a pena?
Eu estaria muito mais otimista se Project Motor Racing fosse um jogo disponível em Acesso Antecipado. Porém, não é o caso. Trata-se de um jog vendido com preço cheio e que custa nada menos do que R$ 349,90 na Playstation Store. Definitivamente, não vale esse preço.
Como o game tem diretrizes claras que dão suporte a modders para desenvolver para o jogo, é claro que há uma expectativa de que as coisas melhorem caso a comunidade decida abraçar o projeto. Porém, não me parece correto que a comunidade precise resolver problemas do jogo base apenas para torná-lo minimamente jogável.
Eu realmente encarei a experiência de jogar Project Motor Racing de braços abertos e com muito boa vontade. Mas é frustrante. Pode escolher um bom jogo de corrida disponível na atualidade: Automobilista 2, Assetto Corsa, Gran Turismo 7, Forza Motorsport… Todos são mais divertidos, e com ampla margem.
Porém, eu pretendo voltar a esse game daqui uns seis meses ou um ano. Há muito para ser consertado e eu realmente acho que a equipe por trás do projeto é capaz de fazer isso. Entretanto, até lá, não dá para recomendar o investimento, nem de tempo e muito menos de dinheiro, no projeto.
Capricho em detalhes sonoros
Proposta de carreira é promissora
Aberto para a comunidades de modders
A engine do game claramente não está à altura da proposta
Jogabilidade no controle é muito ruim
IA dos adversários mal calibrada
Caro para um jogo que não parece estar pronto
Em muitos momentos, injogável
Project Motor Racing foi gentilmente cedido pela Giants Software, na versão para PlayStation 5, para a realização desta análise.
