Análise: Crisol – O Teatro dos Ídolos apresenta novidades interessantes, mas pecando na repetitividade do gameplay

Uma rápida olhada no trailer de Crisol: Theater of Idols é suficiente para perceber referências visuais e de jogabilidade que vão de Resident Evil a Bioshock. E, sem sombra de dúvida, essas duas referências são suficientes para despertar o interesse de qualquer jogador em conhecer um pouco mais sobre o game.

Desenvolvido pela estreante Vermila Studios, da Espanha, e publicado pela Blumhouse Games, Crisol: Theater of Idols é um game de ação e terror em primeira pessoa que traz algumas mecânicas criativas e inovadoras e uma ambientação caprichada, mas deixa um pouco a desejar em relação à variedade de inimigos e ao combate.

Será que vale a pena explorar a fictícia ilha de Tormentosa no PC, no PlayStation 5 ou no Xbox? Vamos falar um pouco mais sobre o game nessa análise completa.

Crisol me ganhou na ambientação

Embora a ilha de Tormentosa, em Hispania, seja um universo fictício, a inspiração no folclore espanhol, com elementos da Semana Santa espanhola, uma das celebrações mais tradicionais do país europeu, sem sombra de dúvidas é uma ótima escolha para criar uma atmosfera cercada de mistérios e devoção.

O estilo visual abusa dos tons de vermelho, com nuances de fogo e sangue, e lembra muito aspectos de Resident Evil 4 combinados com um estilo de gameplay que me fez recordar do início da aventura de Bioshock. Essa combinação é cativante o suficiente para atrair a atenção e funciona, especialmente na primeira meia hora de jogo, quando ainda estamos descobrindo as mecânicas de gameplay.

Na trama do game, acompanhamos Gabriel, que luta pela sua vida em meio a uma ilha na qual estátuas de madeira e gesso ganharam vida e estão dispostas a tudo para manter o silêncio no local sem que haja outros humanos por perto. Os cenários são quase sempre noturnos e chuvosos, o que ajuda a criar uma sensação de opressão constante.

Dando o sangue pela vida

A mecânica de gameplay que diferencia Crisol: Theater of Idols de outros jogos está no sistema de armas de sangue. Logo no início do game, Gabriel, à beira da morte, faz um pacto para continuar vivo: utilizar sangue como munição para uma arma mágica.

Em outras palavras, isso significa que a sua energia é, ao mesmo tempo, sua munição e isso cria uma tensão constante.

Dessa forma, seus tiros se tornam limitados e qualquer coisa que você possa fazer para economizá-los conta bastante. Gabriel ganha ainda a hablidade de absorver o sangue de animais e pessoas mortas, o que dá a ele um suprimento extra, de tiros e de vida. No entanto, a sensação de que tudo pode acabar a qualquer momento é constante.

As coisas ficam um pouco mais simples por duas razões: há muitas injeções de “Plasmarina” pelo cenário, o que ajuda a equilibrar um pouco mais o combate. Além disso, você também vai se deparar com muitos animais mortos para satisfazer a sua fome de sangue, incluindo galinhas, bois e cavalos.

A hora do combate: a criatividade acabou

Quando o combate começa a esquentar, é também o momento em que eu comecei a me incomodar com alguns problemas. O primeiro deles é a falta de agilidade na troca de tiros. Ainda que as estátuas se movam lentamente, fica a sensação que o direcionamento da mira e mesmo a movimentação pelo cenário para fugir dos inimigos são um pouco travados. Joguei com teclado e mouse e no controle e a sensação foi a mesma com ambos.

O nível de IA dos inimigos é muito básico. Desafio mesmo é ver repetidas vezes os mesmo inimigos, com pouquíssimas variações.

Os inimigos básicos também são um problema. Se no começo elas parecem “diferentes”, com o passar das fases você percebe que eles apenas se repetem, com uma ou outra variação de movimento. A inteligência artificial dos inimigos é das mais simples e fica fácil aprender os padrões para passar com tranquilidade em uma segunda tentativa quando necessário.

Design linear e sem muitas surpresas

Ainda que os cenários sejam bonitos e bem contextualizados, Crisol: Theater of Idols é bastante conservador naquilo que oferece para o jogador explorar. As armadilhas, por exemplo, são bastante óbvias, como o barril de combustível vermelho que surge convenientemente no caminho quando um grupo de estátuas assassinas se aproxima.

Além disso, mesmo buscando por itens colecionáveis que incluem crânios de corvo e moedas de prata, não me pareceu que há muitas áreas secretas para serem exploradas. O caminho do game naturalmente faz com que você siga uma “rota” conveniente para que não haja erros. Essa característica é bastante inclusiva, mas pode incomodar jogadores mais experientes.

Falta alguma profundidade na trama

Jogos de terror frequentemente colocam o jogador em meio a uma situação de perigo sem explicar muito do que está acontecendo. Não é o caso aqui, já que desde o início sabemos que se trata de uma luta entre grupos de fanáticos religiosos, com Gabriel fazendo seus sacrifícios para o Deus Sol.

É difícil criar antipatia ou simpatia pelos personagens, quando tudo que temos são vozes no rádio.

Porém, há uma clara desconexão entre Gabriel e os demais personagens que conversam com ele via rádio. Como praticamente não aparecem (uma decisão compreensível em razão de possíveis limites orçamentários de produção), fica difícil para o jogador criar algum tipo de empatia ou antipatia, seja em relação ao protagonista ou aos inimigos.

Desempenho do jogo no PC

A configuração que utilizo aqui – GeForce RTX 4080 Super, AMD Ryzen 7 7800X3D e 64 GB de RAM – não deve ser empecilho para nenhum game rodar bem. Por isso, na minha jogatina não experimentei problemas de quedas de desempenho em nenhum momento. Contudo, há muitos relatos de alguns incômodos em configurações mais simples.

O sistema de salvamento também é outro ponto de atenção: em alguns momentos, o save manual não funciona e você acaba voltando para um checkpoint automático. Esse é um problema que provavelmente é simples de ser resolvido em uma atualização, mas vale ficar esperto e não dar bobeira para não perder alguma coisa importante.

Uma boa relação custo-benefício

Você vai precisar de cerca de 12 a 15 horas para concluir os capítulos do game, incluindo algum tempo extra para buscar colecionáveis no caminho. Porém, spoiler: um dos troféus do game é liberado somente se você terminar o jogo em menos

By Power Play Games

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